Procura pela vacina contra a pneumonia cai 21,7% no Distrito Federal

A imunização passou de 161.948 para 126.807; internações provocadas pela doença chegam a 3,4 mil em 2017

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postado em 25/08/2017 06:00

Minervino Junior/CB/D.A Press

 

As doenças respiratórias são a terceira causa de morte no mundo. Nesse contexto, as pneumonias são as principais. Apesar do alerta dos epidemiologistas, a vacinação contra a doença caiu 21,7%, entre 2015 e 2016. A imunização passou de 161.948 para 126.807 no Distrito Federal. A mesma tendência é observada neste ano. Até maio, dado mais recente da Secretaria de Saúde, 48.575 pessoas se protegeram do mal. O Executivo local garante que os estoques estão abastecidos. Somente este mês, o Ministério da Saúde enviou 10 mil doses da proteção para a capital do país.
 
 
A vacinação é importante para manter uma estatística de saúde pública importante: há três anos, o número de internações por pneumonia está em queda. As mortes também estão menos frequentes — exceto em 2015, quando houve aumento. Entre 2014 e o ano passado, 21.538 pacientes foram hospitalizados com agravos da pneumonia. No mesmo período, 2.044 morreram. O imunobiológico não protege contra todos os tipos da doença, mas combate o mais frequente, causado pela bactéria Streptococcus pneumoniae, o pneumococos.

Os hospitais do DF internaram até maio — dado mais recente da Secretaria de Saúde — 3.441 pessoas com pneumonia. As mortes no período são 303. As infecções podem ser ainda maiores, pois a pneumonia não é de notificação obrigatória. Não está na lista, por exemplo, o caso do economista Marco Oliveira, 54 anos. As complicações da doença forçaram uma hospitalização de cinco dias.

A tosse, a dor ao respirar e o cansaço extremo levaram o morador da Asa Norte a suspeitar da doença. “Em 30 dias,  voltarei ao médico para saber a lesão que a pneumonia causou no pulmão”, conta. Assim como muita gente, Marco não conhecia a vacina contra o mal. “Nunca tomei e, até adoecer, não havia escutado falar. Não sei se vou me vacinar, mas vou pesquisar sobre ela”, destaca.

Situações como a de Marco não são raras. Para o professor de medicina da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo de Melo Martins, falta divulgação. “Temos de mostrar a possibilidade de as pessoas acessarem a vacina. A pneumonia pode ser prevenida, e o governo está investindo nos estoques. As complicações da doença levam à morte ou a internações. Com a imunização, é possível reduzir, substancialmente, o número de casos”, ressalta o especialista em doenças pulmonares. “A vacina contra a pneumonia é segura, eficaz e traz benefícios para a saúde coletiva”, conclui.


Vulneráveis

Para se ter dimensão dos riscos, a pneumonia é sete vezes mais frequente em pessoas com 70 anos. Aos 90, a enfermidade é 14 vezes mais comum. “A população, de maneira geral, não percebe o risco por não ver a doença circulando. É preciso conscientização. Fora da pediatria, é baixa a procura por qualquer vacina. As crianças estão mais expostas pelo amadurecimento do sistema imunológico não estar completo. Os mais velhos, pela fragilidade”, explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.

Outro alerta de Renato é para as informações equivocadas na internet. “As redes sociais, sobretudo, difundem equívocos e põem sob suspeita a ação das vacinas. Cria-se o mito de efeitos adversos e da segurança”, critica.


Proteja-se

O Ministério da Saúde oferta a vacina a crianças menores de 2 anos durante todo o ano. A previsão é de duas doses. A vacina previne alguns tipos de pneumonia, além de meningites e bacteremias causadas pelo pneumococo. Para pessoas acima de 60 anos, o governo oferta duas doses: a primeira e um reforço após cinco anos.


Raio-X


Por dentro da pneumonia

Causador: Streptococcus pneumoniae (pneumococos), entre outros

Onde vive: geralmente, na região da boca e da garganta

Causas: costuma aproveitar as baixas no sistema imunológico para se instalar nos pulmões. A mesma bactéria pode originar diferentes problemas, como otite, meningite, sinusite e endocardite

Sintomas: febre superior a 38Cº, tosse com catarro, falta de ar e dores no peito

Prevenção: vacinação, trocar o filtro do ar-condicionado e ter uma vida saudável

Tratamento: antibióticos e, em casos mais agudos, hospitalização
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