Além dos ipês, brasilienses são presenteados com a floração das mangueiras

É nesta época do ano que as árvores que também representam a cidade começam a mudar de cor com o início da formação das frutas

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postado em 04/09/2017 06:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Em meio aos ipês coloridos, Brasília presencia uma outra floração, discreta, mas que também é a cara da cidade. Nessas plantas, percebe-se um pequeno tipo de flor, com tom que varia entre o amarelo queimado e o vermelho — próxima à coloração vinho. O cheiro no ar, aliado ao clima quase sem umidade e ao calor, deixa um leve aroma doce no ar. Trata-se da florada das mangueiras.




Daqui a alguns meses, a beleza dessas flores dará lugar às saborosas mangas. Enquanto essa época não chega, as mangueiras espalhadas por várias partes do Distrito Federal fazem sombras para um leve cochilo no intervalo do trabalho ou para estudar ao ar livre, além de seduzir quem passa com suas sutis flores. “É muito bonito, pois, nesse período mais seco, aparecem muitas flores pela cidade”, diz a estudante de Veterinária da Universidade de Brasília (UnB) Viviany Evangelista, 18 anos. Sentada em um banco próximo à reitoria da universidade, e aproveitando a sombra e o silêncio para estudar antes da aula, a jovem diz que é impossível não admirar as flores das mangueiras. “Diria que mostra um pouco de vida no meio da seca. Isso é quase filosófico”, acrescenta.

Nesse imenso pomar candango, nascem abacates, jacas, pequis, limões e jabuticabas. Mas a época da manga é a mais esperada pela população, e vai da segunda quinzena de outubro até janeiro do ano seguinte. “Gosto tanto de manga que a fatio e saboreio com a comida. Sabe quando as pessoas almoçam com banana? Faço isso com a manga”,  afirma a vendedora Verônica Soares, 51.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press



A paixão é tão grande, que Verônica costuma procurar por receitas nas quais pode usar a fruta. “A manga é muito versátil. Quando ela está meio verde, dá para consumi-la como se fosse ceviche, fica muito bom”, explica. No DF, a espécie mais conhecida é a manga espada, mas há também espécies como a manga coquinho, a manga ubar — pequena, mas com sabor acentuado.

Walber Teixeira, 62, dono de uma distribuidora de bebidas na 316 Norte, diz que as pessoas que trabalham nas lojas da quadra sobem nas mangueiras para pegar as frutas. Porém, critica a maneira como a coleta é feita. “É perigoso. Tem gente que sobe na mangueira e a sacode, outras lançam um pedaço de pau. Já vi moradores se ferindo por conta disso, além do desperdício”, afirma.

De acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), há 200 mil mangueiras plantadas em todo o DF e um pé inteiro de manga pode produzir, em média, 300 frutas cada. O Parque da Cidade é repleto de mangueiras. Só no Eixo Monumental há, pelo menos, 500 árvores. Com a temporada maior das chuvas e do frio entre maio e junho deste ano, o chefe do Departamento de Parques e Jardins da Novacap, Alfred Luciano, está otimista quanto à quantidade de frutas que podem surgir. “A seca não é uma época propícia para a frutificação, mas acredito que, em 2017, terá mais manga do que o normal”, prevê.

Fonte de fibras

A manga possui uma alta quantidade de Betacaroteno, conhecido, entre os nutricionistas, como o precursor da vitamina A. Além de ser um antioxidante, a fruta também é rica em vitamina C, sendo benéfica para o funcionamento do intestino e do sistema imunológico. Entretanto, a especialista em nutrição funcional e esporte Luciane Felix aponta cuidados em relação à quantidade que se pode ingerir por dia. “Na versão mais doce, pode aumentar a glicose, principalmente para quem é diabético. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão de duas a cinco frutas por dia. Uma porção por dia pode ser de manga”, explica. Para um lanche da tarde, Luciane sugere uma batida de manga com leite de coco e hortelã. “Não se deve coar para manter as propriedades da fibra. E é preciso tomar rápido para manter a vitamina C”, recomenda.

A especialista em nutrição de alimentos orgânicos e vegetarianismo Maíra Attuch também indica um creme de manga com castanhas do pará para um lanche da tarde. Mas é preciso bater com, aproximadamente, quatro castanhas e sem água para manter os nutrientes. “Proporciona saciedade e é semelhante ao mousse, além de não levar nenhuma gordura animal”, conclui.

Para saber  mais

Ceviche, cebiche ou seviche, é um prato da culinária peruana baseado em peixe cru marinado em suco de limão ou de outro cítrico. A manga pode substituir o peixe.


Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Cuidados

Ter uma mangueira no quintal de casa é mais fácil do que se imagina. Mas, se quiser cultivar, a pergunta que precisa ser feita é: tenho espaço para plantar? “É preciso ter uma boa consciência de espaço, pois pode crescer até demais e invadir a área do vizinho. Caem folhas durante o ano inteiro”, diz chefe do Departamento de Parques e Jardins da Novacap, Alfred Luciano. Outro cuidado importante é quanto à coleta das frutas. Luciano explica que, quando a manga está madura demais, pode cair em cima de algum pedestre e, dependendo da altura, causar um acidente maior. “Crianças correm perigo ao subir nos pés, há riscos para veículos, para o trânsito. Tem que ter muita atenção para tudo”, avisa.




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fabio
fabio - 04 de Setembro às 11:54
Parabéns pela reportagem que exalta a qualidade do cerrado brasiliense através de suas frutas vistosas, doces e suculentas como a manga. Só complementando, quem tiver a oportunidade de dar uma volta em Sobradinho, por exemplo, verá que essa maravilha se estende aos abacates, pequis, articuns, amora, jabuticaba, e por aí vai.