Ação educativa no Parque Olhos D'Água pede mudanças e investimentos

Os frequentadores querem que ele se transforme em um lugar de encontro e lazer, com trilhas, sinalização e visitação livre. O Ibram, que cuida do parque, não tem previsão de investimento neste módulo

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postado em 16/09/2017 16:21 / atualizado em 16/09/2017 16:42

Durante toda a manhã deste sábado (16/9), a nova área do Parque Olhos D’Água, na Entrequadra da 212/213 Norte, foi ocupada pelos moradores da região. O objetivo era comemorar os 23 anos do parque e protestar - os frequentadores do espaço querem que ele se transforme em um lugar de encontro e lazer, com trilhas, sinalização e visitação livre. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que cuida do parque, não tem previsão de investimento neste módulo do parque.
 
Em 2012, um decreto do então governador Agnelo Queiroz determinou que a área, que ocupa 16,8 mil metros quadrados, seria incorporada à do parque, localizado a cerca de 400 m. O decreto também previa a interligação entre os dois, mas até hoje isso não saiu do papel. Um dos que lutaram essa batalha foi Ronaldo Moura, morador da SQN 415. Ele é um dos voluntários da Sociedade Amiga do Parque Olhos d’Água. “Nós conseguimos, com isso, barrar a construção de um shopping que seria feito aqui”, conta. A Terracap havia lançado um edital para seleção de uma construtora

Renata Rusky/CB/DA Press
Nas grades da área, cartazes contavam toda essa história. As primas Clara Maria, 31, servidora pública e moradora do Lago Norte, e Inaê Alves, 12, estudante, moradora de águas Claras, inclusive, não conheciam o imbróglio que envolve a área. Foram pegas de surpresa pela movimentação enquanto passeava pela região e foram ver o que era. Podem dizer que aprenderam algo novo sobre a capital neste sábado. 

O evento contou com o apoio de comerciantes da região, que distribuiram água aos visitantes e sorvetes para crianças. Praticantes de tai-chi-chuan fizeram a aula no local, em vez de na sede do parque como de costume. Profissionais da saúde faziam testes de hepatite B e C e doceiras de Sobradinho vendiam seus chocolates.


Enxurradas pluviais


A temporada das chuvas traz mais problemas aos brasilienses. Iniciam-se enxurradas no córrego da nova área do parque. O córrego vira um turbulento riacho por conta de três redes pluviais que lançam água no leito dele. Além de causar erosão nas margens, derrubar árvores e causar assoreamento, cair nele pode ser fatal. E já houve casos.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) chegou a intervir na construção das redes pluviais e firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que foi parcialmente cumprido. “Nós conseguimos 15 mil assinaturas pedindo que o parque fosse ampliado para incluir as nascentes em sua poligonal e pedindo a criação de uma galeria pluvial independente”, afirma Ricardo Montalvão, membro do Sapo. O decreto de Agnelo também previa isso também.

Renata Rusky/CB/DA Press
O indiano Ravidatt Sharma, 78, pesquisador da Embrapa, frequenta o Parque Olhos d’Água desde que ele foi inaugurado, há 23 anos. Ali também tem uma nascente com uma pequena ponte. Embora humilde, ele se gaba de ter sido quem a desenhou. Ele exigiu do administrador que ela existisse. Acabou desenhando. Foi chamado para inaugurá-la, mas diz que não gosta de aparecer. “É importante tornar este parque também num espaço de lazer porque o lazer traz integração social. Eu não tenho religião, mas tenho espiritualidade, e temos que abraçar toda a criação”, opina.
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