Mãe que tentou matar bebê com insulina alega ter doença mental

Advogado da mulher que confessou ter injetado insulina em um bebê de dois meses diz que ela pode ter um mal que consiste na invenção de uma doença em outra pessoa que está sob seus cuidados. Delegada não acredita nessa versão

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 11/10/2017 16:15 / atualizado em 11/10/2017 17:46

J?lia Campos/Esp. CB/D.A Press


O advogado dos pais acusados de injetar insulina em um bebê de dois meses no Hospital Universitário de Brasília (HUB) alega que a mãe faz terapias constantes desde a confissão do crime, em julho, para tratar uma “grande” depressão. Segundo Ronaldo dos Santos Alves, a profissional que atende a cliente suspeita de que ela possa ter Síndrome de Munchausen por Procuração.

Ronaldo Alves espera o relatório médico para decidir os próximos passos da defesa da cliente. “Tudo indica que ela possa ter essa doença. Caso seja comprovado, vou pegar o laudo e apresentar em juízo para saber o que pode ser feito a favor dela”, afirma. Ele ainda comentou que, no mês passado, teve uma audiência onde foi pedido que a instituição que abriga os quatro filhos do casal suspeito fizesse um acompanhamento junto aos pais para saber o que tinha ocorrido e para recolher um histórico familiar. A partir disso, um documento será entregue ao juiz que designará uma pessoa do Tribunal de Justiça para fazer uma avaliação.

“Sei que funcionários do abrigo estiveram na escola onde as crianças estavam matriculadas, conversaram com os professores para saber como era a relação das crianças com os pais. Após esse parecer por parte do Judiciário, será decidido se as crianças voltam para o convívio familiar ou se continuam onde estão. Devido às atuais circunstância com toda essa exposição de informações, acredito que eles não voltarão por agora”, aponta. O advogado disse que atua somente na causa do afastamento. Em relação ao indiciamento, ele contou que nada foi conversado com o casal.

Para a delegada Ana Cristina Sampaio, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), é muito claro que a mãe sabia de todas as consequências que o ato dela poderia ocasionar. “Quem deveria proteger o bebê fez totalmente o contrário. Não podemos, simplesmente, descriminalizar a ação que foi cometida”, ressaltou.

Falsificação

Procurada pelo Correio, a psiquiatra Josianne Martins explicou que a doença, também chamada de Transtorno Factício por Procuração, consiste na falsificação de uma doença em outra pessoa que está sob seus cuidados. O indivíduo produz na vítima sinais e sintomas físicos ou psicológicos, induz lesão ou doença, ou mesmo agrava uma doença já existente.

A profissional afirma que, frequentemente, os sintomas apresentados são dramáticos e incomuns, não respondem aos tratamentos habituais e novos sintomas sempre aparecem quando os primeiros se resolvem. Geralmente, está presente grande desejo de submeter a pessoa a exames e procedimentos, e a história médica é extensa. “Muitas pessoas que recebem o diagnóstico de Transtorno Factício por Procuração apresentam outros diagnósticos psiquiátricos como transtornos de personalidade, de humor, uso de substâncias, entre outros.”

O tratamento inclui a psicoterapia e algumas vezes a medicação, principalmente quando há outros transtornos psiquiátricos associados. Segundo a psiquiatra, a principal motivação da Síndrome é obter cuidados médicos para a vítima e participar do sistema de saúde. “A princípio, não se identifica ganhos óbvios e o ganho financeiro pode estar presente de forma secundária, ou seja, não é a motivação principal, é apenas a consequência da situação. Quando se tem o relato intencional de sintomas para ganho de dinheiro, licença de trabalho, etc. trata-se de Simulação, e não, de Transtorno Factício”, adverte.

Entenda o caso


Suspeita no hospital

Em julho, a equipe médica do HUB pediu a presença de uma conselheira tutelar para relatar que uma mãe injetou insulina em um bebê de dois meses. Ele estava internado desde 24 de junho, com suspeita de hiperinsulinismo congênito. O garoto sobreviveu. Na delegacia, a mãe confessou a autoria do crime. Contou que o pai do bebê trabalhava como entregador em uma farmácia e fornecia a insulina. Ele negou . Em 29 de setembro, o Ministério Público denunciou os dois por tentativa de homicídio. Outros dois dos seis filhos da mulher, diagnosticados com a mesma doença, morreram no ano passado. Sob a justificativa de que os medicamentos estavam em falta na Secretaria de Saúde, a mãe fez campanhas na internet, nas quais pedia dinheiro para comprar remédios. 



Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.