Brasília Tattoo Festival ocorre neste fim de semana no Centro de Convenções

A possibilidade de deixar uma criação permanente no corpo fascina

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AFP / PETER PARKS
 
Os desenhos são criados entre as mais diferentes estéticas e a procura pelo trabalho não para de crescer. Entre artistas mais tradicionais, aprendizes e jovens que buscam a inovação, Brasília se profissionaliza no ramo da tatuagem e atrai olhares de todo o país. A decoração moderna e as cores vivas costumam imperar nas paredes de estúdios e salas de criação, enquanto os olhos concentrados dos tatuadores mostram o cuidado e a vontade em criar uma marca pessoal, única e de qualidade em cada pele tatuada. A possibilidade de deixar uma criação permanente no corpo fascina tatuados e tatuadores e cria um movimento constante entre os estúdios da capital.

O Brasília Tattoo Festival chega a sua 4ª edição e movimenta a cidade nesse final de semana. Além dos stands de tatuagem e body piercing, reunindo o melhor da arte na pele, o evento conta com shows musicais, concursos e modelos exóticos. A ideia é movimentar a cena do Distrito Federal e fomentar o mercado local, mostrando que a prática se profissionalizou progressivamente na última década. Tatuadores de diferentes regiões do país se encontram para mostrar seus trabalhos e trocar experiências, com apresentação de novas tecnologias e materiais, é um dos pontos fortes do projeto. Neste ano, 202 stands ocupam o espaço do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

O idealizador do evento, Paulo Henrique Kbeça, fez sua primeira tatuagem aos 18 anos e desde então se apaixonou pela body art. Seu estúdio, localizado no Gama Shopping, completa 13 anos de produção na cidade. Depois de viajar pelo país e conhecer grandes projetos de outras regiões, Paulo decidiu que criaria um importante espaço de circulação, divulgação e fomento da tatuagem em Brasília. “Trazemos gente de todo o mundo, tem tatuadores como o Jeff Farmer, dos EUA, e Hankey Jee, da Holanda”, destaca.

Um dos destaques de 2017 é a presença de Inácio da Glória, tatuador mais antigo em atividade no país, com mais de 35 anos de carreira e mais de 25 mil tatuagens feitas. Quem caminhar pelo espaço do evento poderá conhecer um pouco da história da tatuagem, de Inácio e de seu estúdio, o Ilha Nativa, aberto em 1976, em Brasília. Inácio é pesquisador da cultura brasileira, da arte da tatuagem, de grafismos indígenas e da relação autoral entre obra e artista. Atualmente ele mora no Guarujá (SP).

Enquanto isso, a melhor tatuagem, escolhida pelo concurso do evento vai ganhar R$ 10 mil, e um troféu criado pelo artista Ale Amorim. São diversas categorias que mostram um pouco de como a tatuagem se transformou nos últimos anos, abrangendo cada vez mais estilos: melhor do evento, tribal, revelação, realismo, preto e cinza, portrait, pontilhismo, oriental, old shcool, new school, neotradicional, cultura brasileira, costas, comics, colorida, Brasília e aquarela.

Kenji Matsunaga, um dos participantes da edição, passou por diversas funções em estúdios de tatuagem enquanto aprendia o ofício. Para ele, por mais que exista um apelo estético em cada trabalho, todo tatuador expõe sua arte pessoal com seu estilo próprio. “Eu gosto de trabalhar com desenhos tradicionais japoneses, americanos e neotradicional. Tento sempre aprimorar meus estudos diversificando a pesquisa e prática entre o maior número de estilos possíveis”, conta o tatuador.

FotoSite/Divulgação


Mulheres em Cena


As tatuadoras marcam forte presença no evento e mostram que os nomes femininos se consolidam no ramo. Com profissionalismo e talento nos traços, tatuadoras abrem espaço em um ramo antes dominado por homens. Indo de encontro aos estereótipos que reforçavam a presença predominante dos tatuadores, elas mostram que há espaço para todos os gêneros e estilos nos estúdios. Uma das artistas que participam da edição é Téssia de Araújo Galvão, que iniciou suas práticas e estudos na área em 2007.

Téssia destaca que as possibilidades para a body art mudaram nos últimos dez anos e que, no início, não era possível encontrar tanta gente interessada em se tatuar na cidade. Com o crescimento da demanda, mais tatuadores conseguem se profissionalizar. “Comecei a aprender observando muito e sempre pratiquei bastante. No começo, as pessoas achavam que tatuar não poderia ser considerado uma profissão. Hoje tenho meu próprio estúdio, o Ateliê Tattoo-DF e estou aqui, com outras parceiras, fortalecendo a participação das mulheres no meio”, destaca a tatuadora.

Sem restrição na hora de experimentar novas abordagens e estilos, Téssia gosta de transitar e trabalhar com a simetria, a escrita, os pontilhismos e a aquarela. “Quando escuto uma nova ideia vinda de um cliente, sempre tento manter-me receptiva. Há muitas possibilidades”. A vontade de abrir seu próprio estúdio veio com o desejo de ter mais liberdade e poder trabalhar de maneira mais tranquila.

Para aprimorar o ofício, é preciso estudar o funcionamento das máquinas utilizadas, a qualidade e diferenças entre os tipos de tinta e espessura das agulhas. A responsabilidade é grande ao deixar um desenho permanente na pele do outro e, sendo assim, é preciso dar sempre o seu melhor.

Portal Tatoo/Divulgação


Serviço


Brasília Tattoo Festival 2017, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, de 3 a 5 de novembro, das 11h à 0h. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

Hoje (4/11)
19h30: Never Look Back
20h20: Macakongs 2099
21h30: Bruto
22h50: Matanza

Amanhã (5/11)
13h: Batalha do Relógio
15h: DJ´s Lethal/Kaster
21h30: Haikaiss
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