Livro conta a história dos 50 anos da Casa do Pequeno Polegar

Instituição nasceu como orfanato nas mãos de Ruth Passarinho e depois passou a ser creche de crianças em situação de vulnerabilidade social

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postado em 09/11/2017 06:00 / atualizado em 09/11/2017 00:07

Antonio Cunha/CB/D.A Press

 
No fim dos anos 1960, a tuberculose invadiu a antiga Cidade Livre. Naquela época, diversas pessoas acabaram vitimadas. Para não serem contaminadas pela doença, algumas crianças tiveram de se afastar dos pais, até que eles finalizassem o tratamento médico. Outras ficaram órfãs. A boa vontade de uma mulher culminou em uma ideia caridosa. Em 1967, foi montado um orfanato — o primeiro espaço da jovem capital do país — na Vila Planalto para abrigar os pequenos. De lá pra cá, passaram-se 50 anos. O abrigo hoje é uma creche e a história da instituição, e da sua criadora, Ruth de Castro Gonçalves Passarinho, agora é contada em livro.
 

O livro-álbum Casa do Pequeno Polegar: Uma vida, muitas histórias narra a trajetória da instituição. Para celebrar cinco décadas da instituição, a atual presidente e filha da fundadora, Angélica Passarinho, pensou em um modo de trazer de volta a visibilidade da instituição, que ainda atende a crianças em situação de vulnerabilidade e risco social, residentes do Itapoã, São Sebastião e Paranoá.

“Pensamos em fazer alguma exposição e depois veio a ideia do livro. O projeto surgiu com a intenção de falar sobre a existência e importância do trabalho desenvolvido por aqui”, destacou. A obra também é uma forma de homenagear aquela que se dedicou aos pequenos órfãos do DF. “Fiz uma pesquisa na internet e não encontrei nada falando sobre minha mãe. Pensei que o livro seria uma excelente peça para isso. Ela era muito admirada por todos”, lembra.

A fundadora da Casa do Pequeno Polegar trocou Belém por Brasília em 1967. No mesmo ano, identificou o excesso de casos de tuberculose na antiga Cidade Livre. “Ela reuniu um grupo de senhoras e fundou a instituição. Foi até o presidente à época, Humberto de Alencar Castelo Branco, e ganhou uma casa de madeira na Vila Planalto. Os órfãos passaram a ser cuidados lá. Para manter o local, depois de um tempo, foram firmados convênios com ordens religiosas e também se passou a fazer feirinhas e bazares”, lembra Angélica.

A história que até então estava sendo contada de uma forma bonita, foi interrompida por um triste acidente. Um poste caiu sobre a casa de madeira e causou um incêndio. “Os bombeiros chegaram. Salvaram a todos. Uma menina talvez distraída pelo fogo voltou e se trancou no banheiro. Ela foi encontrada na manhã seguinte. A minha mãe ficou desolada”, recorda Angélica. Mesmo assim, dona Ruth Passarinho e toda a equipe tiveram forças para reerguer a instituição. O prédio onde funciona a entidade, na QI 5 do Lago Sul, foi erguido rapidamente com doações da população.

Legado

 
Ruth Passarinho morreu aos 62 anos, em 1987, em razão de um câncer no cérebro. Passados 30 anos de sua morte, a obra idealizada por ela é fundamental para o acolhimento de crianças carentes de zero a 5 anos. Atualmente são 164 atendidas. A instituição funciona como creche. O prédio no Lago Sul conta com sete salas. Por lá, os pequenos têm aulas de capoeira, musicoterapia, digitalização ou informática, além do atendimento dentário.

Há um projeto de ampliação para atender mais 30 crianças. “A fila de espera por aqui é grande. Demora-se dois anos para conseguir uma vaga. Isso porque aqui é um dos poucos locais do DF que recebem bebês. As demais instituições não aceitam em virtude do custo financeiro envolvido para cuidar dos mais pequenos”, destaca Angélica.

O livro será lançado nesse sábado, no auditório do Colégio Mackenzie, às 20h. “A renda será destinada para a melhoria do trabalho. Mas quem quiser ajudar, qualquer tipo de doação também é bem vinda”, finaliza.

Para ajudar

Casa do Pequeno Polegar
SHIS QI 5, Chácara 96, Lago Sul
 
Contato: 3248-1217
Banco do Brasil / Agência 3129-1 CC 15387-7
 
CNPJ: 00.094.714/0001-06
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