Greve de metroviários deixa 50 mil usuários do transporte público na mão

Nesta quinta-feira (9/11), primeiro dia do movimento, o serviço permaneceu totalmente interrompido na maior parte do tempo. A greve continua sem data para acabar

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postado em 10/11/2017 06:00 / atualizado em 10/11/2017 10:13

Minervino Junior/CB/D.A Press

Incerteza. Essa palavra pautou o deslocamento de um sem-número de passageiros do Metrô na capital federal, nessa quinta-feira (9/11). A greve dos servidores da companhia afetou de maneira heterogênea as estações da cidade, e ao menos 50 mil pessoas foram prejudicadas, segundo a empresa. Houve estações fechadas, trens lotados e até a liberação de passageiros sem o pagamento da tarifa (R$ 5). Na maior parte do dia, o serviço permaneceu totalmente interrompido. A greve continua sem data para acabar.
 

O Metrô-DF transporta 170 mil pessoas por dia e liga Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras ao Plano Piloto. Com circulação instável, a companhia operou ontem com 18 dos 24 trens. Na hora do almoço, todo o sistema foi interrompido e só voltou a funcionar no fim da tarde. Mesmo onde as estações abriram, houve grandes transtornos. Os trens demoraram até 20 minutos, quando o normal é de três a cinco. A companhia calcula um deficit de 30% de passageiros — cerca de 55 mil pessoas. A Secretaria de Mobilidade colocou 69 ônibus extras a fim de atenuar o impacto da greve.

A crise no transporte começou após servidores e governo não entrarem em acordo para a recomposição salarial. A briga foi parar na Justiça. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) determinou o corte do ponto dos funcionários grevistas. Os metroviários exigem a contratação de mais de 600 servidores (entre posse imediata e cadastro reserva)  e o reajuste salarial de 8,4%. O governo chegou a atender as reivindicações, mas voltou atrás. O Palácio do Buriti afirma que não há “dotação orçamentária” para a concessão de reajustes e a nomeação de servidores. A categoria afirma estar há mais de três anos sem ter reposição de perdas salariais referentes aos índices inflacionários.

Troca de acusações


No início da noite de ontem, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários (SindMetrô) atacou o presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado. Em comunicado repassado à imprensa, a entidade afirmou que o dirigente determinou que outros servidores, que não os pilotos, operassem os trens para enfraquecer a greve. “Tenta-se colocar o sistema em funcionamento, usando funcionários sem treinamento adequado, colocando em risco os usuários”, ressalta o texto.

Minutos depois, o Metrô-DF reagiu. A companhia admitiu que servidores de outras categorias pilotaram trens, mas que todos têm qualificação para exercer a atividade. “Os gerentes que foram deslocados para a operação possuem treinamento em dia e capacidade técnica para operá-los, inclusive são responsáveis também por dar treinamento aos pilotos”, frisa a nota oficial.

Os efeitos da greve foram sentidos duramente por usuários do metrô em todo o DF. Seja como transporte único ou como parte da integração, muita gente teve que repensar o deslocamento para o trabalho ou escola. “Um descaso com a gente, que é trabalhador”, reclamou a cuidadora de idosos Rose de Brito, 54 anos. Ela caminhou quase dois quilômetros entre as estações Guariroba e Ceilândia Sul a fim de embarcar em um trem.

Com catracas liberadas e sem funcionários nas bilheterias, alguns passageiros não conseguiram recarregar os cartões do metrô. Foi o caso do sushiman Marco Aurélio Neto, 36 anos. Ele não pagou passagem ontem, mas está sem crédito para viagens. “Preciso recarregar o bilhete único. Agora, vou ter que deixar para amanhã ou para quando a greve acabar”, criticou.

“O metrô está fechado e sem previsão de reabrir”, gritava, ao celular, uma vendedora de lanches aos pés da escada rolante que liga a Rodoviária do Plano Piloto à estação Central do Metrô. O fechamento repentino revoltou os usuários. “Tem que ter uma punição exemplar ao movimento. Respeito o direito à greve, mas ela não pode acontecer dessa forma, sem aviso”, reclama Virgílio Sirimarco, 58 anos, diretor de um curso profissionalizante em Águas Claras.
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