Quase 60 horas após temporal, cidades do DF continuam sem energia elétrica

A greve dos funcionários da Companhia Energética de Brasília (CEB) prejudicou a reparação da rede elétrica em várias cidades. Em três dias, a companhia já recebeu quase 3 mil chamadas

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postado em 10/11/2017 13:30 / atualizado em 10/11/2017 15:22

Minervino Junior/CB/D.A Press

Já se passaram quase 60 horas desde o temporal que atingiu o Distrito Federal na terça-feira (7/11), mas moradores de ao menos 31 cidades continuam sem energia elétrica. A Companhia Energética de Brasília (CEB) recebeu quase três mil chamadas para os reparos, mas, por causa da greve de servidores, as equipes responsáveis pelos reparos na rede estão com número de funcionários reduzido. Em assembleia realizada nesta sexta-feira (10/11), os servidores decidiram manter a paralisação.

 

A consultora de vendas, Ariane Ribeiro, de 35 anos, mora na QNP 32 do P Sul e está sem energia desde terça-feira à tarde. Ela tem dois filhos, de 7 e 11 anos, e está vivendo de lanche e banho frio há três dias. “Minhas coisas da geladeira estão na vizinha que tem energia, é lá que eu também carrego meu celular. A noite é na base da vela e de madrugada tem que ter velas acesas para arrumar minhas crianças. Só assim para elas irem à escola”, narra.

 

Ariane Ribeiro
Além de todo o transtorno, Ariane conta ainda que as velas acesas pela casa quase causaram um acidente durante esta madrugada. “Acendi as velas e coloquei em um lugar alto, perto de uma caixa de som, para poder iluminar melhor”, mas a vela derreteu e queimou parte do móvel. “Se tivesse queimado a caixa de som teria matado a gente”, conta com preocupação.

 

A vendedora já perdeu as contas de quantas vezes acionou a CEB nesses dias e a resposta é sempre a mesma: que o quadro de funcionários está reduzido e que é preciso esperar. Ela pretende fazer uma reclamação formal no Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) e acionar o Ministério Público (MP). “Acho uma enorme falta de respeito. Eu pago pelo serviço, não é gato não”,diz.

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Os alimentos que estavam dentro das geladeiras também estragaram sem energia elétrica. Na casa da professora Ilda Holanda, de 51 anos, no Núcleo Bandeirante, por exemplo, o queijo e presunto comprados para a semana não resistiram à falta de refrigeração. “As coisas que estão aqui já eram. A minha geladeira não tem gelo nenhum, eu já tive um prejuízo enorme aqui, inclusive perdi remédios”.

 

Em três dias, a CEB recebeu quase 3 mil chamados para reparos. A situação é mais crítica em Ceilândia, Taguatinga, Sobradinho, Brazlândia, Planaltina, Samambaia, Núcleo Bandeirante, Lago Sul e Lago Norte.

 

Sem acordo com o governo

 

A paralisação dos empregados da CEB foi deflagrada na última segunda (6/11), antes do temporal arrasar a cidade. Segundo o sindicato que representa a categoria, a proposta apresentada pela direção da companhia prevê "apenas a reposição da inflação", referente a 2016 e 2017. Os trabalhadores dizem que não recebem recomposição desde 2014, e que aguardavam nova proposta. 

 

Em nota, a CEB diz que ofereceu "recomposição salarial de 100% das perdas inflacionárias do período além da manutenção de todas as cláusulas atuais do Acordo Coletivo de Trabalho, inclusive os benefícios sociais históricos da categoria como auxilio creche, auxílio babá, vale alimentação".

 

 

Ontem, o governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg determinou que a direção da CEB adote medidas legais junto à Justiça para resolver a greve. "É inadmissível que num momento em que boa parte da cidade sofre sérios danos com as sucessivas enxurradas que os funcionários da empresa entrem em greve e deixem de atender plenamente a milhares de pedidos de reparos", declarou o GDF em nota. 

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