Espetáculo Áfricas é apresentado em Brasília no mês da consciência negra

No mês da consciência negra, o brasiliense terá a oportunidade de assistir ao espetáculo Áfricas, do Bando de teatro Olodum, que reúne contos africanos

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postado em 11/11/2017 08:00 / atualizado em 10/11/2017 23:57

João Meirelles/Divulgação


O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro, mas as ações culturais e de militância ocorrem todo o mês. Hoje e amanhã, o grupo Bando de teatro Olodum leva ao palco uma versão do continente africano fora dos estereótipos. O projeto, que já passou por seis estados, prevê a distribuição de ingressos para professores e estudantes de escolas públicas brasilienses, além de terreiros e outras instituições relacionadas com a temática.

No elenco, figura a premiada atriz Valdinéia Soriano, que recebeu, em setembro deste ano, o troféu Candango de melhor atriz no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, pelo filme Café com canela, e agora mostra ao público do Distrito Federal seu talento no palco. Além do espetáculo, o grupo baiano trará dois dias de oficina gratuita de performance negra, que integra a programação do Festival São Batuque.

Com quase três décadas de atividade cultural em Salvador e uma importante linha de criação, o Bando de teatro Olodum busca montar espetáculos lúdicos, recheados por temas que possibilitam a reflexão através do palco. A desigualdade de gênero e, principalmente, a desigualdade racial entram em cena por meio da dedicação de artistas que criam seus espetáculos em meio a linguagens múltiplas. Muita música, cores, danças, contos tradicionais e batuques entram em cena em Áfricas, que busca mostrar as histórias do continente que não pudemos conhecer. É este o primeiro espetáculo infanto-juvenil do Bando, que quer modificar a relação pessoal com a ancestralidade e mostrar a força das raízes para meninos e meninas ao redor do país.

João Meirelles/Divulgação


O espetáculo que chega a Brasília, dirigido por Chica Carelli, mostra personagens que revelam o modo de ser do povo africano. Envolto por delicadeza e com linguagem lúdica, a peça se utiliza de fábulas e contos que buscam mostrar uma África para além das imagens estereotipadas de animais selvagens, doenças e fome. As lendas e contos tradicionais, que atravessaram o tempo por meio das narrativas dos griôs (detentores da sabedoria e linguagem oral), mostram a crianças e adultos a pluralidade de uma história por tantas vezes escondida.

O ator Ridson Reis, integrante do grupo há 11 anos, destaca que a ideia é quebrar estereótipos e contar para as crianças uma história de seus antepassados que elas não conheciam: eles eram príncipes, reis, rainhas, trabalhavam com o ouro e o cobre, tinham extensas rotas de comércio e inventaram grande parte daquilo que nos é essencial no cotidiano. “Se a criança sabe apenas que seus antepassados foram escravizados e não tem contato com essas histórias, com que autoestima ela vai viver seus dias?”, lembra o ator. Criado em 1990, o grupo já lançou nomes como Lázaro Ramos e Érico Brás.


Reflexão


Nos processos criativos, Ridson procura trabalhar com aquilo que aprendeu no Bando: a versatilidade de linguagens e a possibilidade de contar histórias bonitas, sempre construídas pela possibilidade de reflexão. Para se inspirar, o ator busca temas que lhe incomodam e que sabe que incomodam de alguma maneira outros indivíduos. “Essa é a importância do bando para a sociedade, poder falar de assuntos importantes, como a desigualdade de raça, de uma forma muito bonita. Eu acho que toda arte deveria entrar nesse universo, que reúne o belo com a possibilidade de pensarmos em uma sociedade mais igualitária”, afirma o artista.

No espetáculo, o personagem Rodrigo, criado por Ridson, conduz a narrativa e faz com que ela seja contada. O menino anda acompanhado de um tambor falante, um dos instrumentos utilizados pelos griôs para contar histórias. O personagem faz uma viagem por dentro de contos africanos para aprender aquilo que não encontrou em livros e nas salas de aula. Em cena, um continente mostrado sem clichês.

Tradição


O Bando de teatro Olodum é um dos grandes representantes da história do teatro baiano e se destaca pela longevidade do grupo no país. Nascido no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, a companhia é formada por atores exclusivamente negros e, em sua trajetória, se consolidou com uma dramaturgia e estéticas próprias, tendo a mulher e o homem negro e sua tradição sociocultural como matéria-prima para os ricos espetáculos. Com linguagem cênica contemporânea, os artistas do Bando se preocupam com uma criação engajada, sem se esquecer da alegria no palco.

SERVIÇO
Espetáculo Áfricas, do Bando de teatro Olodum, 
até domingo, no Teatro da Caixa (SBS Q. 4 Lt. 3/4); 
Hoje e amanhã, às 16h. Os ingressos custam 
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) e a classificação indicativa é livre.

Oficina gratuita de performance negra 
Hoje e amanhã, das 9h às 11h, no Centro Cultural e Social Grito de Liberdade (Riacho Fundo I, QSD 10, Cj. 3A Casa 10). Ministrante: Cássia Valle e Zebrinha (BA).
 
 
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