MP denuncia 12 pessoas acusadas de participar da máfia das funerárias

Integrantes das organizações criminosas interceptavam o sistema de comunicação da Polícia Civil do DF para obterem informações sobre casos de mortes

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postado em 11/11/2017 08:00



O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou 12 pessoas acusadas de participação em uma organização criminosa ardilosa que enganava famílias em luto para obter lucros para agências funerárias. O esquema foi desmontado por investigação que vieram à tona com a deflagração da Operação Carontes, em 27 de outubro. Divididas em duas células, as ações penais apontam a prática de inúmeros crimes como o uso de telecomunicações sem a observância das regras de regência, contra as relações de consumo e de falsa identidade em diversas regiões administrativas do Distrito Federal.

Como mostraram reportagens publicadas pelo Correio, integrantes das organizações criminosas interceptavam o sistema de comunicação da Polícia Civil do DF para obterem informações sobre casos de mortes naturais em que o Instituto de Medicina Legal (IML) deveria recolher os corpos para declaração do óbito. Com esses dados, os criminosos chegavam antes, passavam-se por funcionários públicos e tentavam convencer as famílias que perderam um parente a contratar o serviço de uma funerária envolvida no esquema.

Sempre usavam uma fala mansa e ofereciam até  um médico para atestar a causa da morte, com o argumento de que levar o corpo para o IML imporia um sofrimento maior à família pelo exame que seria feito no local, com a abertura do cadáver. São os papa-defuntos, especializados em ludibriar as pessoas que, no momento do sofrimento, têm mais dificuldade para analisar racionalmente uma proposta de serviço.

Os 12 suspeitos tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça, que foram convertidas em preventivas. Mas, apesar da denúncia, protocolada quarta-feira, os acusados foram postos em liberdade. Por não envolver policiais até o momento, os promotores de Justiça do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (NCAP) vão encaminhar o processo à Promotoria de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-Vida).

Médico

O MPDFT apontou que o médico Agamenon Martins Borges, acusado de integrar uma das células, fazia o diagnóstico sobre a causa da morte, muitas vezes, por telefone, sem examinar o corpo, apenas com base no relato dos parentes. Houve casos em que o cadáver foi cremado, o que dificulta uma eventual investigação sobre homicídios que, porventura, tenham ocorrido e sido escondidos pelo esquema. A declaração de óbito, assinada pelo médico, é a base para o atestado registrado em cartório. Saía por R$ 500 a R$ 1.000 em média.

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Na Operação Carontes, houve interceptações telefônicas que indicaram como a máfia atuava. “Alternativamente à escuta ilegal do rádio da PCDF e à abordagem feita por telefone aos familiares de pessoas recém-falecidas, a teia criminosa que os acusados fiaram também assediava famílias de pessoas na porta do Hospital Regional de Taguatinga, a partir de informações privilegiadas repassadas, mediante o pagamento de vantagem financeira indevida, por componentes do grupo que trabalhavam no próprio nosocômio”, apontam os promotores de Justiça que cuidam do caso. A ação tramita na 5ª Vara Criminal de Brasília.

Mitologia grega

A Operação que desmontou a nova máfia das funerárias foi batizada como Carontes, em referência ao barqueiro, da mitologia grega, que carregava as almas das pessoas que acabavam de morrer.
 
 
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