Crescimento urbano e poluição espantam pássaros das cidades do DF

Passarinho que tem o nome científico Passer domesticus anda sumido das ruas de Brasília. Especialistas afirmam que a escassez se deve à crescente expansão urbana e consequente diminuição de áreas verdes

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postado em 12/11/2017 08:00 / atualizado em 11/11/2017 22:14

Os passarinhos mais comuns de serem encontrados nos centros urbanos estão sumindo das ruas de Brasília. São as aves popularmente conhecidas como “pardais”,mas que tem o nome científico Passer domesticus, da família dos Passeridae. Essa espécie foi introduzida no Brasil há mais de 100 anos e hoje está presente em todo o território nacional. 

Há algum tempo, os pardais eram encontrados nos mais diversos pontos da cidade, mas com a crescente expansão urbana e a diminuição de espaços verdes, é notável o declínio da sua presença.

Especialistas afirmam que o desaparecimento desses pássaros do meio urbano é consequência das mudanças que vem acontecendo no ecossistema. Segundo a médica veterinária do Zoológico de Brasília Paula Luiza Nóbrega, o aumento da construção de edificações mais altas em Brasília dificultam a reprodução dessa espécie.

“Os pardais constroem seus ninhos em ambientes mais baixos, como os telhados das casas. Como a urbanização de Brasília tem mudado bastante com novos projetos arquitetônicos e construções de muitos prédios, os pardais ficaram sem espaços para fazerem seus ninhos”, explica a especialista em aves. “Além disso, acredito que a melhoria nos serviços de limpeza urbana também influencia no escasseamento da ave porque ela se alimenta também de lixo e, resíduos de comida”, considerou. 

Paula Luiza explicou, ainda, que outra hipótese é a introdução de espécies invasoras, que agora disputam território e expulsam os pardais. “Algumas espécies que vieram para Brasília e outras que possivelmente foram  introduzidas por humanos, como o cardeal-do-nordeste, representam uma ameaça e acabam expulsando os pardais”, esclareceu.

De acordo com a médica veterinária, apesar de não serem vistos nas áreas comuns da cidade, os pardais não desapareceram. “Quando se sentem ameaçados, esses pássaros procuram áreas mais verdes, como aqui no zoológico, onde ainda é possível encontrar muitos. Essa espécie é como um indicador biológico de área verde”, frisa a veterinária.

 
Despercebidos

Apesar do desaparecimento gradual dos pardais passar despercebido para muitas pessoas, a aposentada Maria Eunice dos Reis, 65 anos, sente falta dos passáros que costumavam visitar sua residência, no Guará. “Eu percebi que com o tempo eles foram sumindo, não só os pardais, mas outras espécies também, ainda mais depois que começaram essa expansão aqui na região, com muitos prédios altos”, constata a aposentada. 

Para ela, os animais eram símbolo de alegria. “Eles deixaram saudades, porque alegravam meus dias e meu jardim. Hoje os comedouros e caixas que serviam de ninho estão abandonadas, não há mais canto ou movimentação entre as árvores”, fala. “Eu amava cuidar deles, eram minha companhia do dia a dia. Colocava comida e quando caiam ou se machucavam eu cuidava deles até poderem voar de novo”, relembra saudosa.

A médica veterinária Paula Luiza Nóbrega diz que o retorno dos pardais para o centro urbano não é algo simples e depende de uma série de mudanças. “Para os pardais voltarem, precisaria haver expansão das áreas verdes. Estão preferindo buscar alimento em local mais afastado  porque a cidade não apresenta segurança para eles”, explica.



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