Especialistas dão dicas para fugir dos golpes digitais

Sites piratas de compra e venda atraem vítimas com ofertas tentadoras que, ao final, causam dor de cabeça e prejuízo ao consumidor desavisado

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postado em 15/11/2017 08:00

Maurenilson/CB/D.A Press
Comprar um produto e nunca recebê-lo. Alugar uma casa para passar férias e não ter a reserva garantida. Vender uma mercadoria e nem sequer ver a cor do dinheiro. Essas são apenas algumas das modalidades de golpes que criminosos têm aplicado na internet. Sem desconfiar do esquema, as vítimas cedem aos pedidos quase sempre orquestrados. Só depois de ficar no prejuízo, elas se dão conta que foram alvo de estelionatários. Em alguns casos as pessoas lesadas conseguem recuperar o bem ou o valor, mas, quase sempre, perdem dinheiro ou a mercadoria. Em certas situações, chegam a ser ameaçadas caso procurem a polícia.
 

Segundo o delegado-chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Giancarlos Zuliani, as vítimas, em geral, são pessoas entre 20 e 40 anos. “Não é questão de nível nem de formação. As pessoas caem no golpe em um momento de distração e não percebem. A dica é sempre desconfiar”, ressaltou.

Zuliani contou que os criminosos agem em vários esquemas na internet e variam a forma de atuação. “Trata-se de um pessoal engenhoso para cometer crimes. Eles se utilizam disso para enganar as pessoas em sites falsos, em e-mails pedindo informação sobre o produto e agindo no que a gente chama de força bruta, que são as tentativas para descobrir as senhas fáceis”, explicou.

No entanto, o investigador descarta a participação de funcionários de empresas de venda na internet nesses golpes. No caso dos e-mails falsos para tentar passar credibilidade, eles usam o nome do site, mas com um domínio diferente. “É importante que as pessoas tomem muito cuidado e confiram antes o e-mail para se certificar se, de fato, trata-se do original. É possível fazer isso vendo o próprio código da fonte no e-mail”, esclareceu.

O coordenador de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Ordem Tributária e Fraudes (Corf), delegado Wisley Salomão, contou que um dos casos investigados na unidade é de uma pessoa que alugou uma casa em Búzios para passar as férias com a família, mas, quando chegou ao destino, não tinha reserva. “Geralmente os depósitos desses valores são feitos em contas fora do DF, que é o local onde se consuma o crime. Não temos casos de recebimento de vantagens aqui”, explicou.

Ele recomendou ao internauta verificar a procedência dos sites e, antes de fechar negócio, procurar sugestão de quem já teve experiência com a empresa. “Além disso, preferencialmente é recomendado que não se pague tudo de uma vez, porque, em caso de prejuízo, a perda é menor”, destacou.

Sem suspeitas

Organizados, os bandidos criam uma história bem planejada para ludibriar as vítimas e chegam a enviar e-mails falsos com nomes de empresas reais para tentar passar credibilidade. Outra tática é a celeridade. Para tentar agir com rapidez e não levantar suspeitas, eles pedem o envio da mercadoria o quanto antes — quando a vítima tenta vender o produto em supostos sites de compra/venda — ou oferecem um preço abaixo do mercado nas situações em que o internauta se interessa pela mercadoria. Depois de garantir o golpe, eles desaparecem.

Foi o que aconteceu com uma moradora da Asa Sul. A bióloga M., de 38 anos, que tem medo de ser identificada, se interessou por um celular anunciado por R$ 2,7 mil em um site especializado de vendas na internet. A vítima manteve contato com uma mulher que estava no Rio de Janeiro durante alguns dias. Convincente, a estelionatária contou que estava de mudança para os Estados Unidos com o marido e compraria produtos eletrônicos novos. Por isso, ofereceu um valor menor.

Para ganhar a confiança da interessada, a mulher ainda enviou a ela documentos, como carteira de motorista, e um número telefone que seria da mãe, caso a mercadoria chegasse quando ela já estivesse, supostamente, a caminho dos EUA. Quando recebeu o comprovante de depósito, enviado pela vítima, a suspeita enviou a caixa onde estaria o celular. “Fiquei acompanhando a encomenda e vi que foi entregue em um endereço de Planaltina de Goiás. Mas como meu CEP estava certo, pensei que ia bater lá e voltar. No outro dia deu como objeto entregue. Descobri que tinha ido para uma escola. Liguei no colégio e a diretora contou que, dentro da caixa, havia uma farinha de kibe”, explicou a bióloga.

Nas fotos que chegaram para a vítima, ela conferiu que o CEP da encomenda estava correto, mas o endereço tinha sido trocado. A mulher tentou falar com a suposta vendedora, mas ela nunca mais atendeu. A bióloga também ligou para o número que recebeu como sendo da mãe da estelionatária, mas não conseguiu falar com ninguém. “Contratei um motoboy do Rio de Janeiro para ir atrás dela. Ele chegou a encontrá-la, mas ela negou a identidade e não passou mais informação”, explicou.

Chateada, a vítima contou que, antes de fazer contato com a tal vendedora, chegou a desconfiar de outros anúncios, mas nunca levantou suspeitas com o qual tinha fechado negócio porque tudo parecia real. “O dinheiro eu não tenho esperança de receber, mas espero que ela não faça mais isso com ninguém. Fica a lição.”

Compra falsa

O arquiteto Rodrigo Trigueiro, 26 anos, por pouco não foi vítima em um esquema de mensagem em e-mail falso. Ele anunciou, em um site de vendas, um notebook por R$ 1 mil. No segundo dia recebeu um suposto e-mail da empresa dizendo que ele havia realizado a venda. A mensagem apresentava orientações para envio do produto, como endereço, de São Paulo, o CEP e o nome da pessoa. A única exigência: que a mercadoria fosse enviada por Sedex e, portanto, o mais rápido possível. “Estava escrito que eles pagariam até R$ 200 para eu encaminhar o produto e, por motivo de segurança, o comprador tinha que receber a mercadoria para, depois, eu ter acesso ao valor da venda. Para mim, fez todo sentido, porque como ia receber sem antes mandar o notebook? De boa-fé, enviei”, contou.

Satisfeito por ter concretizado a venda em pouco tempo de anúncio, Rodrigo enviou ao e-mail o código de rastreio da mercadoria para ser acompanhada e ainda informou que o produto chegaria no outro dia. Mas, logo depois, o arquiteto recebeu uma mensagem estranha. “Eles falaram que não conseguiram tirar o anúncio do ar e pediram que eu fizesse isso. Achei estranho e comecei a desconfiar. Depois fui pesquisar na internet e vi que era um golpe. Por sorte não perdi o produto, porque consegui bloquear a entrega”, ressaltou.

Depois de ter bloqueado a entrega, Rodrigo ainda recebeu um e-mail do golpista perguntando o que tinha acontecido por não ter recebido a entrega. “Respondi para ele não fazer isso mais com as pessoas e, nunca mais, tive retorno.” 

Sem ficar no prejuízo

Dicas para não cair em golpes de negócios feitos pela internet

» Confira o domínio do e-mail que você recebeu e certifique se é verdadeiro
» Faça uma pesquisa prévia sobre as formas de compra e venda pela internet
» Antes de procurar pela empresa, peça sugestão a pessoas mais próximas que já tiveram alguma experiência com o site
» No caso de uma venda, prefira o pagamento em parcelas, porque, em caso de prejuízo, a perda é menor
» Desconfie de preços muito baixos
» Só entre em redes wi-fi conhecidas e use um antivírus na máquina
» Opte por sites mais utilizados e verifique a segurança da página
» Acompanhe a movimentação do cartão utilizado na transação
» Não forneça informações pessoais desnecessárias

Fonte: Polícia Civil do DF e site Totlab
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