Contrariando decisão do TRT, Metrô/DF amanhece totalmente fechado

Metrô/DF alega que o sindicato não disponibilizou funcionários para o funcionamento do trens. Categoria acusa a estatal de "não negociar escala"

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postado em 20/11/2017 08:00 / atualizado em 20/11/2017 11:59

Ana Sá/CB/D.A Press
 
O passageiro que precisava usar o metrô na manhã desta segunda-feira (20/11) deu de cara com as portas das estações fechadas, em mais um dia de greve. Em desrespeito à liminar expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), por falta de funcionários, o Metrô/DF decidiu não ofertar o serviço, enquanto o Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô) não disponibilizar servidores.

 
Mesmo com o anúncio de que o metrô não funcionaria nesta manhã, alguns passageiros da Rodoviária do Plano Piloto foram pegos de surpresa. A fila para os ônibus em direção a Taguatinga e Águas Claras, principalmente, ficaram maiores do que o previsto. 

Cleide Castro, 30 anos, não sabe se volta para casa ou se chega, ainda que muito atrasada, ao trabalho em Águas Claras. Ela está cobrindo as férias de uma colega na região e teme não ser chamada novamente. "Já estou avisando a minha patroa, porque hoje eu saí às 6h30 de casa, em Planaltina de Goiás, e não sei mais que horas vou conseguir chegar", desabafa.
 
De acordo com o Metrô/DF, os trens voltam a circular caso haja, ao menos, 75% dos trabalhadores disponíveis. A assessoria de comunicação da estatal frisou, porém, que a justiça estipulou efetivo mínimo de 90%.

O Sindmetrô acusa a empresa de não negociar a escala da greve e, por isso, não chegar a um acordo sobre o número de funcionários trabalhando durante a paralisação. Apesar de o sindicato afirmar que há trabalhadores disponíveis, a categoria não informou quantos poderiam estar no serviço nesta manhã.
 
O Metrô/DF, porém, alega que somente 26 agentes de estação necessários para a reabertura estavam a postos durante amanhã, quando o mínimo necessário era de 66. No domingo (19/11), quando o acordo previa a disponibilização de 45 funcionários na escala, nenhum servidor apareceu, afirma a empresa.
 
A expectativa é de que haja uma nova reunião até a tarde para definir a reabertura das estações. No entanto, a estatal insiste que só pode retomar o serviço depois que o Sindmetrô disponibilizar mais funcionários, algo ainda não previsto.
 

Incidente em ônibus fere passageira

 
Em Taguatinga Centro, um objeto que quebrou o vidro de um ônibus atingiu uma mulher. Cássia Oliveira Santos, 27 anos, ia ao trabalho quando os estilhaços cortaram a testa dela. "Eu nem vi o que aconteceu. Estava no celular e tomei um susto muito grande", contou. A moradora de Samambaia pegaria o metrô, mas teve de recorrer ao ônibus em decorrência da greve.

Motociclistas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atenderam Cássia, bastante assustada, no local. Ela sofreu apenas escoriações e não precisou de atendimento hospitalar. Por causa do incidente, o ônibus parou, o que causou ainda mais transtorno nas paradas de Taguatinga Centro. Mesmo com o sol forte, não houve espaço para todos na sombra.
 

 
Onze dias de transtorno

 
Com a paralisação desta segunda-feira, o metrô soma onze dias com movimento alterado ou completamente fechado. Desde que a greve foi deflagrada, em 9 de novembro, os trens só circularam normalmente no último dia 12, data da segunda prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
 
Nos primeiros dias do movimento, o Metrô/DF abriu as portas nos horários de pico. Porém, desde o sábado passado (18/11), a estatal decidiu interromper a circulação dos trens por falta de efetivo. O Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô), no entanto, diz que disponibiliza servidores.
 

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