Crise hídrica faz Ibram suspender licitação de nova área do Taquari

Ministério Público alega que há risco de contaminação do Lago Paranoá por efluentes. Instituto analisava impacto ambiental na região do Taquari havia dois meses

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postado em 28/11/2017 10:40 / atualizado em 28/11/2017 11:28

Breno Fortes/CB/D.A Press

Por causa da crise hídrica e do início da captação de águas do Lago Paranoá, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) suspendeu, na segunda-feira (27/11), a licença de instalação do Trecho 2 do Setor Habitacional Taquari. Em nota, órgão informou que "o processo carece de esclarecimentos sobre o projeto de ocupação do solo, esgotamento sanitário e drenagem pluvial".

 

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O novo bairro ficaria sobre afluentes que abastecem o Lago Paranoá, segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O órgão recomendou a suspensão ao Ibram, por temer, entre outros fatores, o lançamento de poluentes que poderiam comprometer a qualidade da água. "As soluções de abastecimento, drenagem pluvial e esgotamento sanitário propostos pela Terracap ainda não tiveram a viabilidade ambiental demonstrada por meio de estudos específicos que considerem a crise hídrica, a capacidade do Lago Paranoá de diluir águas residuais e a sua nova condição de manancial para abastecimento humano", explica o texto.

 

O site da Terracap justifica o licenciamento do Trecho 2 do Taquari por uma "tendência de valorização das terras daquele setor habitacional" por causa da Torre de TV Digital. Porém, o monumento, inaugurado em 2012, está fechado para visitação desde o fim do ano passado para reformas.

 

A medida ocorre quase dois meses depois de o MPDFT ter ajuizado a recomendação. Ainda assim, o impasse entre órgãos ligados à proteção ambiental e setores da construção civil é antiga. Em 1997, já havia estudos da própria Terracap, proprietária do terreno, sobre a sobrecarga ambiental na região do Taquari.

 

Em nota, a Terracap ressaltou que "que tem buscado atender, no tempo mais breve possível, as condicionantes estipuladas pelos órgãos de proteção ambiental". A suspensão ainda pode ser revertida. A agência informou, ainda, que os projetos de ocupação podem ser alterados para respeitar as exigências das autoridades ambientais.

Momento crucial

Para a promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira, o momento é crucial para o Lago Paranoá, que "não suporta mais receber efluentes e sofre com o assoreamento causado tanto pela ocupação desordenada quanto pela planejada". A promotora de Justiça também ressaltou a importância da decisão em um momento de crise econômica e de premência da Terracap em vender os lotes do novo trecho do Taquari.

 

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