Com correntes rachadas, PT ainda não tem nome para o Buriti em 2018

Diretório regional se reúne no dia 17 sem nomes certos para disputar os cargos do pleito do próximo ano

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postado em 30/11/2017 19:15 / atualizado em 30/11/2017 19:13

Antonio Cunha/CB/D.A Press


O PT-DF deve acentuar, nos próximos dias, as articulações políticas em torno da disputa por cargos majoritários da corrida eleitoral de 2018. O diretório regional do partido marcou, para 17 de dezembro, um congresso extraordinário, no qual discutirá nomes de pré-candidatos ao Palácio do Buriti e propostas de apresentação eleitoral. A conferência tende a ser tumultuada. A legenda está rachada.

 

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Uma parcela dos correligionários defende o lançamento, no encontro, de um postulante petista ao Executivo local e a outra prefere aguardar o passar do tempo para avaliar composições diferentes. Estes entendem que a sigla não deva ser cabeça de chapa, por ser recente o desgaste provocado pelo ex-governador Agnelo Queiroz, preso temporariamente na Operação Panatenaico por suposto superfaturamento nas obras do Estádio Mané Garrincha.

O placar apertado da votação da executiva regional sobre a escolha do pré-candidato ao GDF reflete a divergência: 25 pessoas foram favoráveis à proposta e 19, contra. 

Cotada para disputar o cargo de distrital ou vice-governadora, Arlete Sampaio, fundadora do PT-DF, defende mais tempo de discussão. “Grande parte acredita que a situação não está amadurecida. Apesar de considerarmos lançar um nome novo, não podemos aproximar-nos de outros partidos e dizer: ‘Queremos nos juntar, nosso nome é esse’. O natural é que essas conversas aconteçam em conjunto”, pondera.

Pré-candidato ao Senado, Wasny de Roure também é contra lançar um nome de forma açodada. “Tenho defendido que o PT desenvolva uma proposta de coligação. Precisamos nos debruçar sobre nossos erros para uma avaliação.”

Corrente interna da legenda e autor da proposta de escolha de um pré-candidato ao Buriti, o Construindo um Novo Brasil (CNB), porém, acredita que o partido “não pode perder tempo”. “É necessário construir uma plataforma política e eleitoral e continuar os esforços por uma aliança no campo democrático e popular com os demais partidos progressistas do DF”, aponta o movimento, em nota. O CNB defende ainda o lançamento oficial de Wasny ao Senado. O calendário para as inscrições dos candidatos a deputados federal e distrital também seria definido no dia 17.

As distintas perspectivas serão discutidas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 13, quando ele estará em Brasília. A opinião de Lula será fundamental, dada sua influência e a necessidade de ter o DF como palanque eleitoral na disputa ao Palácio do Planalto. Mas a candidatura de Lula depende da viabilidade jurídica do cacique da sigla, condenado pela 13ª Vara Federal, em primeira instância, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Lula recorreu ao Tribunal Regional Federal (TRF).

Possibilidades

O  partido nem sequer analisou quais correligionários têm viabilidade para concorrer em 2018. Nomes cotados para o Executivo local, como Arlete Sampaio, Chico Vigilante e a presidente do diretório regional, Erika Kokay, dizem que, ao menos por ora, não querem entrar na disputa. A pretensão é encontrar um pré-candidato minimamente conhecido pela população e fora dos escândalos de corrupção da sigla.

O PT sondou o procurador aposentado do Ministério Público Federal e ex-ministro da Justiça à época da gestão de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão. Ele seria um representante com viés crítico aos supostos excessos da Lava-Jato e sem papas na língua para atacar o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Aragão, no entanto, disse, em entrevista à coluna Eixo Capital, que, por enquanto, não pretende concorrer: “(Candidatura) Não é algo que me cativa, não é minha vibe, tampouco o que minha família gostaria, mas, em política, nada é impossível.”

Outra possibilidade é a de construir a candidatura da diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro) Rosilene Corrêa. Apesar da boa base eleitoral, muitos acreditam que ela não dispõe de força política.  Nos bastidores, o entendimento é de que o PT lance um pré-candidato só para ter o poder de barganha e conquistar boas construções em uma chapa para cargos majoritários.

Cotados
As possibilidades do PT-DF para concorrer a cargos nas próximas eleições:

Eugênio Aragão
Cargo: 
Governador
Apesar de não ser filiado ao PT, o subprocurador-geral da República aposentado foi sondado para representar o partido na corrida eleitoral do próximo ano. Em 2016, ocupou, por pouco menos de dois meses, o cargo de ministro da Justiça, a convite da ex-presidente Dilma Rousseff. Neste ano, aposentou-se e abriu um escritório de advocacia.

Rosilene Corrêa
Cargo: 
Governadora
Dirigente do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de secretária de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a petista ingressou na Secretaria de Educação do DF em 1993 e, hoje, está aposentada.

Wasny de Roure
Cargo:
 Senador
Eleito distrital por cinco vezes, o parlamentar também ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados entre 2007 e 2010. Ele ainda trabalhou, em 1995, como secretário de Fazenda, quando Cristovam Buarque era governador, à época, pelo PT.

Erika Kokay
Cargo:
 Deputada federal
Presidente do diretório regional do PT, a deputada federal deve ser candidata à reeleição pela segunda vez. Teve o nome cotado para a disputa pelo Palácio do Buriti e Senado, mas, ao menos por enquanto, diz a correligionários que pretende permanecer na Câmara. 
Ela ainda deteve, por oito 
anos, o mandato de distrital.

Arlete Sampaio
Cargo:
 Deputada distrital ou vice-governadora
Ex-vice-governadora, ex-distrital e uma das fundadoras do PT em Brasília, Arlete não disputou as eleições de 2014, mas pretende voltar ao protagonismo do meio político no próximo ano. É formada em medicina e foi titular da Secretaria de Desenvolvimento Social no governo de Agnelo Queiroz.

Chico Vigilante
Cargo: 
Deputado distrital
Ingressou na vida pública em 1979, quando trabalhou na fundação da Associação dos Vigilantes do DF, que, mais tarde, tornou-se um sindicato. O distrital ainda contribuiu para a formação do PT-DF e presidiu a CUT. Ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados por duas vezes e, na Legislativa, por outras três.

Geraldo Magela
Cargo:
 Deputado distrital
Foi deputado distrital e federal, presidente da Câmara Legislativa entre 1995 e 1996, e secretário de Habitação durante o governo de Agnelo Queiroz. Em 2002, disputou o segundo turno das eleições com Joaquim Roriz, mas acabou derrotado. No último pleito, concorreu ao mandato de senador. Ficou em terceiro lugar.
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