Criado em 1959, Cruzeiro celebra 58 anos nesta quinta-feira

Moradores relatam a satisfação de viver numa região cheia de amigos e muita energia

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postado em 30/11/2017 06:00 / atualizado em 30/11/2017 10:37



Criado em 1959 e destinado a abrigar servidores públicos transferidos do Rio de Janeiro para a nova capital brasileira, o Cruzeiro comemora, hoje, seus 58 anos. Quem mora na região percebe que ela é diferente de quase tudo em Brasília. Os moradores dizem que o local tem “cara de cidade de interior”. As construções geminadas, as praças, os parques para crianças e as quadras promovem um convívio maior com os vizinhos.
 
 
José Sebastião, 82 anos, e a mulher, Perpétua, 77, comerciantes da Feira Permanente do Cruzeiro, estão em Brasília há 45 anos. Desde que chegaram, moram no Cruzeiro. Primeiro, de aluguel, no Cruzeiro Novo, até que, há 13 anos, compraram uma casa no Cruzeiro Velho. “Por feição, eu conheço todo mundo aqui, mais de mil pessoas. Tem gente que vem à feira todos os dias, tem quem vem toda a semana”, conta. Na banca composta por uma diversidade enorme de farinhas e de grãos, Perpétua oferece café a todos os clientes.

Há poucos anos na capital, o casal Neidemara Felipini, 41, assessora parlamentar, e Igor Gonçalves, servidor público, tem certeza que escolheram o melhor lugar para viver. Estão aqui há cerca de três anos. Ele veio antes, por conta do emprego, e ela, alguns meses depois, com os dois filhos, Guilherme e Gustavo. “No trabalho, indicaram-me aqui como um lugar bom para morar: perto, sem trânsito, mais barato”, ele conta.

De acordo com Neidemara, a mudança foi interessante: “Como não somos daqui, não estamos acostumados com essa ideia de cidade planejada, e o Cruzeiro não parece nada com isso. Parece um bairro”, ela avalia.

Para as crianças, a mudança também foi boa. Há parques e os meninos fazem atividades físicas no Ginásio do Cruzeiro por preços bem mais em conta que outros estabelecimentos do Plano Piloto. Além disso, a escola é perto de casa e a família se sente segura para ir caminhando todo dia.

Sobre segurança, o sapateiro Manoel Messias, 60, também fez questão de falar: “Aqui eu saio a hora que quero, bebo a hora que quero. Se eu dormir na praça, acordo do mesmo jeito”, brinca. Segundo ele, comparado à cidade onde morava antes, a Ceilândia, a vida é bem melhor. Ele conta que, ali, todo mundo se cumprimenta e fala um com o outro e ressalta que tem todo tipo de gente, da mais pobre à mais rica.
 
Ed Alves/CB/D.A Press
 
A praça de cartas

Todo dia, senhores aposentados se reúnem na praça da quadra 10 para jogar xadrez, damas, cartas e beber cerveja. Com mesas e bancos, de vez em quando, eles também fazem churrascos à noite. Cleômines Patrício, 76, conta que comprou a banca de revista dali quando se aposentou, há 26 anos. Depois disso, ele e um grupo de quase 100 pessoas fizeram um abaixo-assinado para que a pequena praça fosse construída. “Treze já morreram. Todo mundo ficando velho, mas ninguém por aqui se considera idoso não”, brinca. Segundo ele, a praça é frequentada por ex-delegados, funcionários públicos e também gente com menos dinheiro.

Até os jovens aparecem por ali. O local é opção de lazer para Adriano Vieira, 21, maranhense que chegou à capital há cinco meses. Ele, então, levou Andrei Dias, 20, paraense que está aqui há três meses e que conheceu no trabalho, uma padaria ali perto. Foram bem acolhidos pelos novos vizinhos. “Somos aprendizes. Estamos nos aperfeiçoando para poder enfrentar os mais velhos nas cartas. Eles ensinam bastante”, conta Adriano.
 
 
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