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Estado de Minas

Conheça histórias de pessoas que dedicam a vida a ajudar o próximo

Confira as histórias de vida de pessoas que decidiram abrir mão do tempo com a própria família para ajudar a quem precisa. Esses voluntários fazem a diferença em instituições de caridade e por meio de projetos pessoais. São ações de mudanças mútuas


postado em 25/12/2017 06:00 / atualizado em 25/12/2017 06:41

Roberta Eliza Zandomenico buscou na meditação uma forma de superar a depressão e a síndrome do pânico. Depois, resolveu levar o método para outras pessoas(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Roberta Eliza Zandomenico buscou na meditação uma forma de superar a depressão e a síndrome do pânico. Depois, resolveu levar o método para outras pessoas (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)


Só o trabalho constante transforma. Muitos brasilienses envolvidos com ações solidárias chegaram a essa conclusão após mudar a vida para se dedicar ao próximo. Se dedicar mesmo, presencialmente. Levar crianças carentes ao dentista, a um projeto esportivo ou ensinar alguma coisa nova. Conversar, tocar música para idosos, consertar uma torneira ou, até, lavar as louças em um evento. Tem trabalho de sobra para quem estiver disposto a ajudar. Enquanto doações feitas em datas comemorativas como Natal ajudam algumas organizações pontualmente, é a entrega simples, porém assídua, que garante o funcionamento de espaços destinados ao acolhimento.

A reportagem do Correio entrevistou voluntários que, apesar das obrigações profissionais e familiares, reservaram parte do tempo para ajudar o próximo. Eles relatam como o trabalho voluntário se tornou uma prioridade de vida; como fizeram para se organizar e como conquistaram o apoio da família para desenvolver uma atividade que, sob uma perspectiva autocentrada, seria onerosa e cansativa. Vencida a inércia, cada uma dessas pessoas leva consigo um grupo de novos voluntários, diretos ou indiretos, que dão ainda mais significado a essa doação.

Pelo relato deles, fica evidente, à primeira vista, como pequenas ações ou práticas pouco convencionais fazem a diferença na rotina de instituições que acolhem crianças, idosos, pessoas com vivência de rua e dependentes químicos.

Moradora da Asa Sul, a professora de história Roberta Eliza Zandomenico buscou na meditação uma forma de superar a depressão e a síndrome do pânico. Depois, resolveu levar o método para outras pessoas. Ela e outros três voluntários ensinam Sahaja Yoga para estudantes de comunidades carentes de Samambaia. As aulas são na Organização Não Governamental (ONG) Casa Azul, uma instituição que oferece alimentação, cuidados de saúde e diversas atividades para a juventude no contraturno da escola.

Roberta vai ao local uma vez por semana e conta que os alunos melhoraram a concentração, o desempenho escolar e estão mais tranquilos. “É uma técnica simples. Já sofri de depressão e síndrome do pânico. Mas, após um ano de meditação, eu levava uma vida comum. À medida em que os meninos praticam, aprendem a ter autocontrole. Deixam de ser explosivos e reativos. Perdem a necessidade de responder a provocações e se tornam mais equilibrados”, explica.

Roberta também já deu aula de meditação na Escola de Meninos e Meninas de Rua, no Parque da Cidade, para crianças em situação de vulnerabilidade e com vivência de rua. O filho, de 14 anos, só não a acompanha no voluntariado por conta da escola. “Ele também viu as mudanças e os efeitos da meditação e gosta do meu trabalho. Doar o ano todo faz a diferença. É preciso uma ação contínua para haver mudança”, acredita.

Famílias envolvidas


O funcionário público Cícero Fernando Barbosa da Silva, 47, tem formação como filósofo e especialização em terapia comunitária. Ele é outro voluntário da Casa Azul, mas o trabalho é com os pais das crianças. Fernando coordena grupos de terapia e faz palestras abordando temas como depressão e violência contra a mulher, por exemplo. “Você não recebe dinheiro pelo trabalho voluntário. Nesse sentido, ele é gratuito. Mas os ganhos que obtenho são múltiplos e impagáveis. Não somos poucos lutando por um Brasil melhor”, destaca.

Os encontros de Fernando com as famílias acontecem a cada 15 dias. Os pais lidam com situações de perda, separação e discriminação social. “Tem muitas pessoas em situação difícil. Não conseguimos ajudar a todas. Mas fazemos a diferença para as contempladas pelo projeto. E mais, Paulo Freire diz que ninguém educa ninguém sozinho. Nos educamos juntos. Quando auxilio alguém, me auxilio. A chaga do outro é um pouco da minha chaga, bem como a superação do outro é a minha superação”, afirma.

Os filhos de 7 e 10 anos e a mulher de Fernando também se envolveram no trabalho. “Eu envolvi minha família nisso. Conto as histórias do que eu faço. Tem que ser uma ação conjunta. Eu levo isso para minha vida”, afirma.

O mesmo ocorre com Denise Dias, 38. Ela trabalha com crianças do Abrigo Bezerra de Menezes, em Ceilândia. Aos poucos, acabou envolvendo os familiares. Casada e mãe de duas meninas, uma de 2 anos e outra de 6, ela conta que, no primeiro momento, sua família ficou receosa. “Quando me voluntariei, ainda amamentava. Mas, quando as coisas começaram a funcionar, criei uma família de voluntários. Se eu planejo alguma coisa, eles dão ideia. Meus irmãos me disponibilizam jogos. Minha mãe faz um lanche para me ajudar. A presença na frente sou eu. Mas tenho uma rede de apoio”, revela.

Quando procurou a entidade para se cadastrar, encontrou um leque de opções e uma agenda anual de compromissos. Ela descobriu que era possível participar de diversas formas. Escolheu o contato com as crianças. “Ajudo nas tarefas de casa e acompanho a rotina escolar. Eu tenho um domingo mensal com atividades lúdicas. Quando estou com eles, se tem alguma necessidade específica, alguma prova, repasso a matéria. E eles também propõem atividades”, lista. Para ela, a continuidade do trabalho só é possível quando se define, com clareza, o nível de comprometimento.

Coral natalino

O projeto Serenata de Natal começou com cantatas nas ruas e migrou para hospitais e instituições (foto: Jéssica Luz/Esp. CB/D.A Press)
O projeto Serenata de Natal começou com cantatas nas ruas e migrou para hospitais e instituições (foto: Jéssica Luz/Esp. CB/D.A Press)


O projeto sóciomusical Serenata de Natal começou com cantatas nas ruas de Brasília. A coordenadora Natália Carvalho, 33, conta que o grupo nasceu em 1981, formado por professores e alunos do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB). Com a popularização da iniciativa, o grupo cresceu e traçou novos objetivos. Um deles foi a Serenata Social, com apresentações em instituições como abrigos, orfanatos, asilos e hospitais. Os próprios coralistas indicam as instituições. Nas visitas, além de música, o grupo leva donativos. A Serenata Social acontece anualmente, nos fins de semana do mês de novembro.


Se trazemos alegria, combatemos a tristeza, que causa várias doenças. Além disso,  uerer bem aos outros nos transforma. Mas as pessoas têm necessidades ano todo. E não só de coisas materiais. É a presença, a palavra, o ouvido”
Luiz Otávio Gomes Sanromã, 65 anos, 
voluntário do Lar dos Velhinhos Maria Madalena, no Núcleo Bandeirante


Buscamos pessoas dispostas a contar uma história, dar aula de música, auxiliar em um dever, levar a uma consulta, buscar uma doação ou oferecer um auxílio mensal para cobrir nossos gastos e atividades” 
Ana Laura Mazzei, 

vice-presidente do Abrigo Bezerra de Menezes

 

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