DF registra o menor número de assassinatos dos últimos 15 anos

Com 498 casos, a capital registrou uma queda de 15,7% na quantidade de homicídios de 2017 para 2016. Proporcionalmente ao número de habitantes, é o menor número de ocorrências em 29 anos. Também diminuíram os latrocínios (roubos com morte)

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postado em 06/01/2018 08:00 / atualizado em 05/01/2018 23:35

Minervino Junior/CB/D.A Press


O número de pessoas assassinadas na capital caiu em 2017. Foram 498 contra 591 em 2016. Uma queda de 15,7%. O menor número de ocorrências dos últimos 15 anos — em 2002, houve 497 mortes. Proporcionalmente ao número de habitantes, a quantidade de homicídios no ano passado é a menor em quase três décadas. Houve 16,3 casos para cada grupo de 100 mil moradores. Em 1988, a taxa foi de 15,2.


Com 36 registros em 2017, também diminuíram os latrocínios (roubos com morte). São 18,2% a menos do que em 2016, quando houve 44. Os dados, obtidos com exclusividade pelo Correio, estão no mais recente balanço criminal da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

"Isso é resultado de uma política de segurança integrada, do trabalho incansável da Polícia Militar, da Polícia Civil, com o apoio do Corpo de Bombeiros e do Detran. É uma conquista da sociedade brasiliense e é um desafio para o governo para continuar reduzindo esses indicadores", ressaltou o governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Segundo a Polícia Militar do DF, que se pronunciou apenas por meio da assessoria de comunicação, a redução nos índices criminais por parte da corporação se deve às ações pontuais e emprego inteligente do policiamento, além de realização de "operações específicas para cada modalidade de crime e reforço no policiamento em áreas mais críticas apontadas pelas manchas criminais".

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O secretário de Segurança Pública, Edval Novaes, afirma que a queda na criminalidade não é justificada por aumento de efetivo nas polícias Civil e Militar, pois 2017 teve diminuição de pessoal. "Há muitos policiais se aposentando e as mudanças nas regras previdenciárias também influenciam nessa queda de efetivo. Porém, realocamos pessoal do administrativo para as ruas, aumentamos os trabalhos com horas extras e planejamos um policiamento mais inteligente e tecnológico", destacou.

Fatores como o acesso à arma e a falta de iluminação pública, além da divulgação dos casos para a sociedade, influenciam na sensação de insegurança, segundo Edval Novaes. "Por isso, a sensação de insegurança é difícil de ser mensurada", observou o secretário de Segurança. No entanto, para o secretário, diminuir as condições que propiciem os crimes também ajuda a melhorar a sensação de segurança da população. "Quando se trabalha o policiamento integrado e estratégico, com uso de tecnologias e estatísticas para direcionar as atividades, a criminalidade cai e paralelamente o bem-estar da população aumenta. É isso que vem acontecendo nos últimos anos".

Aumento de casos


O balanço revelou, no entanto, crescimento de duas modalidades de crime, entre eles, o estupro, que aumentou 32,4% (883 casos no ano passado contra 667 em 2016). "A lei que aborda o conceito de estupro ficou muito mais abrangente, incluindo violência sexual virtual. Temos uma série de legislações que penalizam crimes desse tipo, mas não se tem de forma efetiva políticas públicas preventivas de juventude e família. Essa carência recai também para o aumento dos crimes passionais", justificou o sociólogo e especialista em estudos de violência Antônio Flávio Testa, da Universidade de Brasília (UnB).

O outro índice que cresceu foi o de tráfico de drogas, com 2.577 registros em 2017 e 2.300 no ano anterior. Aumento de 12%. "Ele se deu em várias regiões brasileiras e cresce muito. Rebeliões em presídios são ligadas ao narcotráfico e mortes por acerto de contas também são uma tendência, apesar da atuação ostensiva da polícia", ponderou Testa.


Memória


8 de dezembro
Pai e filho foram assassinados a tiros em 8 de dezembro pelo vizinho Roney Ramalho Sereno, 43 anos, após um desentendimento. Anderson Ferreira de Aguiar, 49, morreu na hora, em frente à porta de casa, no Jardim Botânico. O filho Rafael Macedo de Aguiar, 21, foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Roney trabalhava como segurança no Ministério Público Federal e era integrante da Federação Brasiliense de Tiro Esportivo. Na casa do assassino foram encontradas armas e mais de 30 mil projéteis. Ele está preso na Papuda e aguarda julgamento.

7 de dezembro
O pesquisador e doutorando em física da Universidade de Brasília (UnB) Arlon Fernando da Silva, 29 anos, foi assassinado à noite, na do Eixo Monumental, em frente à Câmara Legislativa e a poucos metros do Palácio do Buriti. Ele voltava de bicicleta para casa, no Sudoeste, quando foi atacado a facadas. Arlon chegou a ser socorrido, mas morreu na mesa de cirurgia. O suspeito ainda não foi identificado.

2 de julho
O DJ Yago Sik, 23 anos, foi assassinado durante uma festa no Conic, após uma briga com Lucas Albo de Oliveira, 22. Testemunhas afirmam que Lucas teria agredido a ex-namorada Marcela Martinelli Brandão, dentro de uma festa, e Yago defendeu a moça. Assim que o DJ deixou o local, levou dois tiros de Lucas. Câmeras de segurança do prédio gravaram a espera e o momento do assassinato. O acusado foi transferido para a Papuda em 7 de julho, onde aguarda sentença. Se condenado, pode pegar de 15 a 30 anos de prisão.

Em queda

  • Crime: 2016 / 2017 / variação
  • Homicídio: 591 / 498 / -15,7%
  • Latrocínio: 44 / 36 / -18,2%
  • Lesão corporal seguida de morte: 5 / 5 / -

Fonte: Secretaria de Segurança Pública do DF
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