Ano de 2017 termina com alta de 32,4% em casos de estupros no DF

Foram 883 denúncias, quase um terço a mais do que o registrado em 2016

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postado em 08/01/2018 15:49 / atualizado em 08/01/2018 21:37

Isa Stacciarini/CB/D.A Press
 
O ano de 2017 encerrou com alta de 32,4% nos casos de estupros registrados no DF. De janeiro a dezembro, a polícia contabilizou 883 ocorrências desse tipo, enquanto no mesmo período do ano passado houve 667 denúncias. Mas nem todas as queixas são de atos consumados em 2017. Em razão de uma maior consciência e do reconhecimento do que é o estupro, as mulheres têm procurado mais ajuda. Outro fator, segundo especialistas, é a ampliação daquilo que se caracteriza como estupro. Pela lei, ele não se resume só ao ato sexual. 
 

Mesmo assim, a quantidade de estupros consumados aumentou. Passou de 616 em 2016 para 687 em todo o ano passado: um salto de 12%. O acumulado de janeiro a dezembro de 2017 seguiu a tendência do que aconteceu mês a mês no DF. O crime chegou a ser o único que continuou crescendo na capital.

Até 15 de dezembro de 2017, 466 vítimas eram mulheres e 53, homens. A faixa etária é de 10 a 32 anos. Em todo o ano, 55% dos estupros ocorreram sem conjunção carnal e 39% dos crimes ocorreram na casa da vítima ou do autor. Em 59% dos casos havia vínculo entre a vítima e o estuprador, segundo a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF). 

Os dados foram divulgados na tarde desta segunda-feira (8/1), durante um balanço criminal da SSP-DF. Conforme o Correio divulgou com exclusividade no sábado (6), o número de pessoas assassinadas na capital caiu 15,7% em 2017. 

As forças de segurança pública registraram 498 mortes de janeiro a dezembro do ano passado, contra 591 em 2016. Esse é o menor número de ocorrências dos últimos 15 anos — em 2002, houve 497 mortes.

Proporcionalmente ao número de habitantes, a quantidade de homicídios no ano passado também é a menor em quase três décadas. Houve 16,3 casos para cada grupo de 100 mil moradores. Em 1988, a taxa foi de 15,2.
 

Latrocínios em queda 


Os casos de latrocínio também reduziram. Passaram de 44 em 2016 para 36 em 2017: uma diminuição de 18,2%. Mas, em compensação, os registros de lesão corporal seguida de morte se mantiveram. Houve cinco casos de janeiro a dezembro de 2017: o mesmo número em 2016.

Mesmo com as reduções, nas ruas, a população ainda reclama da insegurança. Para representantes da SSP-DF, no entanto, a sensação de segurança está relacionada a outros fatores, que não se resumem apenas à competência das forças policiais, como poda de mato alto e reforço na iluminação. 

O secretário de Segurança Pública, Edval Novaes, reforçou que o apoio das secretarias de Cidades, Saúde e Mobilidade ajudou no combate aos crimes, inclusive nos casos de manutenção da qualidade de vida da população, com as operações do Cidade Limpa. Além disso, a Saúde dá o suporte ao atendimento das vítimas de estupro. "Os resultados atingidos são fruto da política de segurança pública do governo, o empenho das forças de segurança e a parceria com demais órgãos, como Secretaria de Cidades, Mobilidade e Saúde", ressaltou.  

Em 2017 as polícias Militar e Civil prenderam 14.481 pessoas. Nesse total, estão incluídos os adolescentes apreendidos. Outras 32.031 acabaram detidas: quando o cidadão é levado à delegacia, assina o termo circunstanciado se comprometendo a comparecer à Justiça e é liberado.

Crimes contra o patrimônio

Na tendência da redução dos crimes, todos os delitos contra o patrimônio reduziram. O que menos abaixou foram os furtos em veículos. Em todo o ano passado houve 12.656 casos contra 12.779 em 2016. Uma queda de apenas 1,1%.

Todos os outros seguiram em queda. Foi assim com a quantidade de roubo a pedestres, que passou de 38.206 em 2016 para 36.763 em 2017 (- 3,8%); roubo de veículo, com 4.855 casos no ano passado contra 5.663 em 2016 (- 14,3%); e assalto em transporte público, que em 2016 registrou 3.130 episódios e, em 2017, 2.681 (- 14,3%).

Também diminuíram os casos de assalto a comércio, passando de 2.774 em 2016 para 2.136 em 2017 (- 23%); e roubo a residência, com 862 registros no ano passado contra 919 em 2016 (- 6,2%).

Menos mortes no trânsito

As mortes no trânsito também caíram. Na tentativa de seguir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir, pela metade, o número de vítimas no asfalto no período de uma década, de 2011 a 2020, o Departamento de Trânsito do DF (Detran) conseguiu diminuir em 35% a quantidade de tragédias nas pistas da capital.

A quantidade de óbitos passou de 390 de janeiro a dezembro de 2016 para 254 no mesmo período do ano passado. A previsão da ONU é de 225 óbitos em 2020.

Segundo o Detran, essa é a menor quantidade já registrada em toda história do DF. Se considerar apenas as vias urbanas, a redução foi ainda maior: 37%. As vítimas passaram de 143 em 2016 para 90 em 2017 . 

Dezembro também bateu a menor taxa de mortos em 31 dias. De 1º de dezembro até o dia 31, 14 pessoas morreram. No mesmo período de 2016, houve 30 óbitos registrados.

Durante todo o ano, 24.425 motoristas foram autuados por embriaguez ao volante.  Um crescimento de 70% em relação a 2016, quando agentes flagraram 14.358 condutores bêbados ao volante.
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