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Estado de Minas

Contratação de vans escolares exige cautela de pais para garantir segurança

A contratação de um transporte é opção para quem não tem tempo ou condições de deixar os filhos no colégio. Responsáveis precisam ter cautela na escolha para garantir a segurança dos pequenos


postado em 11/01/2018 06:00 / atualizado em 11/01/2018 17:19

Insatisfeito com o horário em que o neto saia de casa, o mestre de obras Luiz dos Santos assumiu a responsabilidade de levar o garoto para a escola (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press )
Insatisfeito com o horário em que o neto saia de casa, o mestre de obras Luiz dos Santos assumiu a responsabilidade de levar o garoto para a escola (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press )

 

As aulas ainda não começaram, mas muitas famílias estão envolvidas com os preparativos para o ano letivo. Entre as preocupações dos pais que não têm como levar e buscar as crianças na escola está a escolha do transporte escolar. Os responsáveis precisam estar atentos a diversos itens e seguros quanto à escolha do profissional.

 

“Os pais devem tomar cuidado com os motoristas que entregam os cartõezinhos nas portas das escolas. Nem todos são legalizados. Na dúvida, podem procurar o sindicato com o número da placa do veículo ou o nome completo do motorista para que seja feita a verificação”, instrui o presidente do Sindicato dos Transportes Escolares do Distrito Federal (Sintresc-DF), Nazon Simões.

Ele informa que aproximadamente 60 mil crianças utilizam esse tipo de transporte, e reforça a importância da verificação. De acordo com o Departamento de Trânsito (Detran), existem 1.766 autorizados a realizar o transporte de escolares no DF. De janeiro a dezembro do ano passado, foram registradas 50 infrações a menos em relação à condução de veículo escolar sem a devida autorização, de acordo com o mesmo período de 2016. O número diminuiu de 175 para 125.

Segundo o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, “em 2017, o número de infrações diminuiu devido às fiscalizações diárias”. O responsável pelo órgão diz que a abordagem é feita tanto em operações específicas quanto no patrulhamento diário. No caso de flagrante de irregularidades no transporte escolar, é lavrado auto de infração de natureza grave e o motorista recebe 5 pontos na carteira. O veículo pode ser recolhido ao depósito. A multa é de R$ 195,23.

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Esquecimento

A técnica em saúde bucal Alessandra Palmeira Queiroz, 44 anos, tem uma filha de 17, que utiliza o transporte desde os 5. Alessandra comenta que não tem condição de levar a filha na escola devido ao horário de serviço e relembra os problemas que enfrentou. “Quando ela tinha 15 anos, havia um motorista que a esquecia na escola e eu tinha que largar o trabalho para ir buscá-la. Foi difícil achar um motorista responsável, mas, graças a Deus, consegui”, afirma.

Responsável por uma empresa de transporte escolar,  Jorge Serafin, 43 anos, atua no ramo há 15 anos. Ele reclama que não há respeito no trânsito com esse tipo de transporte, mas diz que  o maior problema que enfrenta é em relação aos que fazem o serviço sem autorização. “De uns anos para cá, a concorrência aumentou. Tem muita van pirata rodando. É necessário que os pais sempre chequem se o motorista tem a autorização e os pontos necessários para a condução. Os ilegais cobram mais barato. É melhor desembolsar um pouco mais, mas ter  segurança”, aconselha o motorista.

O menino George Rafael,  9 anos, tem motorista particular para ir e voltar da escola. No caso, é o avô, o mestre de obras Luiz Ferreira dos Santos, 66 anos. Ele decidiu transportar o garoto devido aos horários da van.   “O motorista vinha muito cedo e, por diversas vezes, o menino saiu de casa sem almoço”, compadeceu-se o morador de Águas Claras. Ele reforça que, sendo possível, “é melhor que os pais acompanhem os pequenos até a escola ou que “deleguem a responsabilidade para alguém conhecido e de confiança”, aconselha.

Conforme decreto publicado no Diário Oficial em maio de 2016, veículos com capacidade acima de 20 lugares que transportarem crianças com idade até 5 anos ficam obrigados a circular com a presença de acompanhante.  Antes do recesso escolar, a reportagem visitou escolas para observar a conduta desses motoristas. Em uma escola particular na Octogonal há espaço destinado para as vans estacionarem no pátio interno. Mesmo assim, alguns motoristas pararam do lado de fora do portão e buzinavam para que os pequenos passageiros embarcassem. Das três vans que pararam do lado de fora, duas estavam sem monitor. Das cinco que estacionaram no pátio interno, três estavam sem monitor.

O Detran alerta que para denunciar imprudência ou irregularidades de qualquer natureza que envolva transporte escolar, basta entrar em contato com a Ouvidoria, por meio do telefone 162, ou acessar o site www.ouvidoria.df.gov.br.  No site do Detran, estão listados os autorizatários e veículos autorizados no DF a realizar  esse transporte..

Cuidados essenciais

Dicas para os pais
» Conferir: placa do veículo, número da autorização, número de registro, nome do autorizatário, proprietário do veículo, condutor do veículo, condutor substituto, capacidade de passageiros, data de emissão, assinatura e carimbo do servidor do Detran;

» Observar: condições gerais do veículo, equipamentos obrigatórios, limpeza, estado dos pneus, bancos, número de cintos, funcionamento dos cintos, capacidade de lotação, funcionamento e aferição do tacógrafo;

» Checar: validade da habilitação do condutor e se tem permissão para categoria “D”.

Fique atento

» Crianças menores de 10 anos devem ser transportadas nos bancos traseiros;

» Os veículos com capacidade acima de 20 lugares que transportarem crianças com idade até 5 anos ficam obrigados a circularem com a presença de acompanhante responsável pela segurança dos pequenos.


Estagiária sob supervisão de Margareth Lourenço (Especial para o Correio)

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