Atividade rural aliada à tecnologia abre espaço a jovens seguirem carreira

A atividade rural impulsionada pela tecnologia abre espaço para jovens seguirem carreira profissional nesse ambiente. Dados da Emater mostram que eles respondem por 20% do total dos financiamentos concedidos a agricultores

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postado em 13/01/2018 08:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Jovens de 18 a 29 anos começam a enxergar o campo como possibilidade de carreira profissional e de futuro no Distrito Federal. A introdução da tecnologia no agronegócio e o acesso ao conhecimento, mesmo para agricultores familiares com pouca formação, estão transformando a região. Além das oportunidades de emprego, soma-se ao cenário o bom momento do agronegócio na balança comercial brasileira. Por outro lado, a dificuldade de conseguir um trabalho, o alto custo de vida e a insegurança nas cidades ajudam na hora da escolha. O cenário é muito diferente do conhecido nas décadas de 1980 e 1990, em que rural parecia ser sinônimo de atraso e a migração dos filhos dos produtores para as metrópoles era dada como certa.

Para se ter ideia, dos 255 produtores rurais que acessaram recursos do Prospera — linha de crédito da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural — para fomentar o desenvolvimento rural em 2017, 52 eram jovens entre 18 e 29 anos. Cerca de 20%. Dos R$ 4.231.281,97 destinados aos agricultores, R$ 810.371,17 vão beneficiar os mais novos. Em anos anteriores o número de jovens que participavam nem sequer era levado em consideração, pois o percentual era muito baixo.

Os dados do relatório mais recente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater) são de 2016. O levantamento também indica aumento de 17% no número de agricultores com acesso a políticas sociais, que saltou de 3.241 no ano anterior para 3.806. O número de produtores participando de organizações sociais também subiu no período. Foi de 6.614 para 7.379, um crescimento de 8%. Os números dizem respeito, principalmente, à agricultura familiar, setor em que a presença do jovem é mais importante.

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Iago de Sousa Passos, 25 anos, aguarda a liberação de R$ 15 mil por meio do Prospera para abrir um poço artesiano na propriedade de 2,49 hectares. Ele ganhou o terreno por meio de um programa governamental, em Ceilândia, mas ainda não consegue viver apenas com a renda gerada pela produção, e precisa trabalhar em outras propriedades. “Com um poço, vou conseguir irrigar o que produzo durante todo o ano. A partir daí, pretendo me dedicar totalmente ao meu negócio”, planeja.

Hoje, o produtor trabalha com o pai em uma plantação de mexerica de terceiros das 6h às 17h. Depois, dá continuidade ao serviço em casa, com a plantação de milho e a criação de porcos. Dois irmãos do rapaz optaram por trabalhar como vigilantes, mas ele não cogita outra possibilidade. Segue os passos do pai, que, desde os 16 anos, trabalha no campo, mas foi o primeiro na família a conseguir terra para estabelecer uma produção própria. “O campo pode viver sem a cidade, mas a cidade não vive sem o campo. Já trabalhei de auxiliar de serviços gerais, mas aqui é bem melhor”, orgulha-se.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Poder de compra


A tecnologia também exerce forte papel nesse cenário. Em parte, a introdução das melhorias é consequência da ida do jovem para o campo, além de gerar vagas de trabalho para um perfil profissional preenchido, principalmente, por essa parcela da população. Um exemplo é Leandro Massaharu Sato, 32. Aos 22 anos, ele deixou o frigorífico em que trabalhava, no Paraná, para ajudar o pai a tocar uma fazenda de produção de grãos na fronteira do DF com Unaí. A formação de Leandro em engenharia de produção lhe permitiu levar uma série de conhecimentos para o negócio. A irmã, formada em administração, optou por ficar em Curitiba.

“Não que meu pai ou meu avô não conseguissem tocar a produção. Claro que conseguiriam. Mas as inovações trazem uma série de facilidades. Hoje, somos dependentes da internet para tudo. Nosso maquinário é informatizado, precisa de GPS. Essa tecnologia, inclusive, aproximou o campo da cidade, e está diversificando as atividades, que também atrai os jovens. A atividade agrícola é muito dinâmica e essa parcela da população pode trazer velocidade na tomada de decisões”, destaca.

O trabalho como músico na cidade não trouxe o retorno que Francisco Jorge Silva de Almeida, 25, esperava. Ele mora em uma pequena propriedade cedida pelo GDF no Assentamento 15 de Agosto, no Núcleo Rural Capão Comprido, em São Sebastião. Hoje, comemora a compra do carro financiado e conseguir viver do que planta, como outros produtores da associação local.

Na propriedade, o foco são os orgânicos, que dão bom retorno financeiro. Nos canteiros há pimenta-de-cheiro, tomate cereja, morango, banana, quiabo, jiló e feijão-verde. Tem uma criação de cinco porcos e, também, gado para a produção de leite. “Temos muito o que melhorar, mas estamos crescendo. Conquistamos o que a maior parte das pessoas sonha: independência financeira e um lugar para morar. Se estivesse na cidade, trabalharia para os outros e, certamente, não teria nada disso”, afirma.

Linha de crédito Prospera DF — 2017

Número de produtores com projetos contratados – 255
Valores liberados para:

Investimentos - R$ 2.217.247,89
Custeio - R$ 2.014.034,08
Total = R$ 4.231.281,97

Produtores jovens com projetos contratados – 52, sendo 45 homens e 7 mulheres
Valores liberados para:

Investimentos - R$ 388.485,43
Custeio - R$ 421.885,74
Total = R$ 810.371,17
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