Entre bicicletas e aplicativos, brasilienses buscam saídas para mobilidade

Brasilienses buscam alternativas para se locomover com qualidade na cidade. Transporte público ainda é ineficiente

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postado em 14/01/2018 08:00 / atualizado em 14/01/2018 08:28

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Usuária frequente do serviço público, a auxiliar de limpeza Doralice Pereira, 45 anos, se sente mais segura nos ônibus. "Não uso carro porque existem muitos motoristas imprudentes. Aconteceram vários acidentes com pessoas da minha família por causa de condutores que não dirigem bem. Nos ônibus, os acidentes não acontecem com frequência", aponta. Para ela, seria importante o aumento de coletivos para que mais pessoas deixassem de utilizar os seus veículos próprios. "Dessa forma, teríamos menos carros nas ruas. Consequentemente, o número de acidentes automobilísticos também seria menor. Acredito que o serviço público é a melhor solução para os problemas do trânsito", avalia.


O transporte público, porém, não é a única possibilidade para quem precisa se locomover diariamente. A opção por bicicletas é uma realidade frequente. Brasília conta com 428km de ciclovias. Lucas Oliveira, 23, é um adepto convicto do pedal. "Sempre que tenho oportunidade de ir de bike, eu vou. Só utilizo o carro quando realmente é necessário", revela o servidor público. A paixão começou na adolescência, com trilhas, e, hoje, se tornou o meio de transporte prioritário.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Lucas pedala todos os dias entre Arniqueiras e o Plano Piloto. No Ministério do Trabalho, ele conta com um bicicletário, dentro da garagem, e um vestiário, para tomar banho antes de encarar o expediente. "É muito importante fazer atividade física logo pela manhã. Eu chego mais disposto ao serviço. Trânsito é muito estressante. Ir de bicicleta é muito mais suave", conta. Todos os dias, Lucas percorre 56km. "A bike tem muitas vantagens, principalmente o dinheiro que eu economizo e o tempo que eu gasto. Se eu for trabalhar de bicicleta no horário de pico, eu demoro cerca de uma hora. De carro, eu levo 1h20", calcula.

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A opção por não usar mais o carro também mudou os hábitos do físico Danilo de Farias, 27. Após sofrer um acidente, ele decidiu vender o carro e alugou um apartamento mais perto da clínica onde trabalha, na Asa Sul. Assim, vai a pé ao serviço. "Mesmo antes, eu tinha feito as contas e percebi que não estava valendo a pena. O meu carro era novo e, por ano, eu gastava por volta de R$ 20 mil. Era cerca de R$ 1,7 mil por mês para pagar a manutenção e o combustível, além dos impostos. Dependendo da quantidade de vezes em que eu usava o carro durante a semana, os custos poderiam ser maiores", critica.
Diferenciais

Outra saída para a mobilidade é a utilização dos serviços de transporte por aplicativo, como Uber e Cabify. Mesmo habilitada, a estudante de terapia ocupacional Andréa da Costa Bezerra, 22, escolhe os serviços de caronas pagas para se locomover. Para ela, o preço e a rapidez são os diferenciais. "Eu consigo chegar mais rápido, por valores até mais baratos do que eu gastaria com passagem em transportes públicos ou com gasolina", observa.

A estudante mora em Ceilândia, e usa esse tipo de transporte para ir a locais próximos à sua casa. Para ela, é mais rentável. "Em uma semana, gasto entre R$ 60 e R$ 70. Se eu usasse carro, só com combustível, gastaria esse valor no mínimo em três dias. Prefiro usar outro tipo de transporte que não seja o meu próprio carro", relata.

Cálculo constante


Para desfrutar das vantagens de andar em um automóvel, o motorista precisa desembolsar uma boa quantia. Cálculos feitos pelo economista Newton Marques mostram que, mensalmente, uma pessoa pode gastar cerca de meio salário mínimo com o veículo. "Quando se faz esse tipo de conta, deve-se considerar o gasto anual. Então, temos de embutir no cálculo o seguro, a troca de óleo, os impostos obrigatórios, o rodízio de pneus, entre outras coisas. Se uma pessoa rodar por ano 30 mil quilômetros, ela vai gastar, por baixo, R$ 450 por mês, sem contar a gasolina", detalha.

Além disso, os motoristas precisam ficar atentos para o pagamento dos tributos obrigatórios, como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o DPVAT e o licenciamento. Para saber o valor do IPVA, basta multiplicar a alíquota do imposto pelo valor de venda do automóvel. O preço de cada veículo pode ser consultado no site da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O valor do DPVAT varia de acordo com a categoria do veículo. Neste ano, à exceção das motos, todos os outros veículos terão uma redução de 35% no valor do seguro obrigatório.

Sem juros e taxas, os preços para este ano são os seguintes: R$ 45,72 (para automóveis e camionetas particulares), R$ 47,66 (para caminhões e picapes até 1,5 t de carga), R$ 57,61 (para ciclomotores), R$ 103,78 (para micro-ônibus até 10 passageiros e ônibus sem cobrança de frete), R$ 164,82 (para ônibus e micro-ônibus com cobrança de frete), e R$ 185,50 (para motocicletas). O licenciamento não tem uma regra válida para todo o Brasil, e o valor da taxa varia entre cada unidade da Federação. Para 2018, o custo será de R$ 70,34 no Distrito Federal.
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