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Estado de Minas

Sobram problemas para resolver após fechamento do Lixão da Estrutural

Governo precisa definir destino que será dado ao Aterro do Jóquei, implementar a coleta seletiva em todo o DF e a atuação dos catadores, que estão sem trabalho suficiente


postado em 23/01/2018 06:32 / atualizado em 23/01/2018 07:23

Caminhão do SLU despeja entulhos de obras e terra para cobrir a área onde os catadores trabalhavam (foto: Dênio Simões/Agência Brasília)
Caminhão do SLU despeja entulhos de obras e terra para cobrir a área onde os catadores trabalhavam (foto: Dênio Simões/Agência Brasília)

 
Três dias após o Aterro do Jóquei, conhecido como Lixão da Estrutural, ter sido fechado ainda há diversas pendências a serem resolvidas pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Falta, por exemplo, definir o destino que será dado ao local, implementar de fato a coleta seletiva nas regiões administrativas e elaborar estratégias para aumentar a vida útil do Aterro Sanitário de Brasília, que é de 13 anos. Outra questão é o destino dos catadores. Representantes da categoria reclamam que há falta de trabalho para eles.

A diretora do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Heliana Kátia Tavares Campos, afirma que há demanda nos galpões de triagem, porém, ainda falta efetivo nas cooperativas. Entretanto, a presidente da Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do DF (Centcoop), Aline Sousa, diz que a situação é outra. De acordo com ela, os galpões não comportam todos catadores e o material que chega ao local é insuficiente para que eles consigam renda. "Precisamos de uma coleta seletiva implementada de forma efetiva. Se isso não acontecer, muitos vão para as ruas em busca de material de forma independente", alerta.

Lúcia Fernandes do Nascimento é presidente da Coorace, uma das cooperativas contratadas para atuar no galpão do Setor de Industrias e Abastecimento (SI A). Ela conta que a empresa dela tem capacidade para contratar 180 catadores, porém, com a baixa demanda, só consegue manter 74. "O material que chega não dá nem 20 quilos para cada um por dia de trabalho. Muitos vem para cá e ficam sem ter o que fazer. Isso porque a gente começou agora, imagina quando se expandir", avalia. De acordo com Lúcia, os funcionários das cooperativas não conseguem ganhar nem R$ 10 por dia trabalhado.

Cerca de 2 mil catadores trabalhavam no Lixão da Estrutural. O SLU disponibilizou 1,2 mil vagas para eles nos galpões de triagem. Segundo o órgão, eles receberão até R$ 350 por tonelada comercializada, além de uma bolsa de compensação financeira de R$ 360,75 por seis meses. Na semana passada, durante o fechamento do Lixão, o governador Rodrigo Rollemberg destacou que, nos galpões de triagem, trabalhando de 4h a 6h por dia, os catadores conseguiriam uma renda de até R$ 1,2 mil.

Contrato vai expandir serviço de cooperativas

No total, 18 regiões administrativas são contempladas com a coleta seletiva. Um contrato firmado com sete cooperativas vai expandir o serviço para mais 10 cidades até o próximo mês. A promessa é de que todo o Distrito Federal terá separação regular dos rejeitos até o fim do ano. Essa medida é essencial para que os catadores contratados nos galpões de triagem tenham trabalho e o número de resíduos encaminhados ao Aterro Sanitário de Brasília diminua, aumentando a vida útil dele.
Próximos passos

Nos próximos sete dias, o Lixão permanecerá fechado para o aterramento dos rejeitos. Após esse prazo, ele será reaberto para receber resíduos da construção civil, material inerte, ou seja, que não compromete o meio ambiente. O SLU começou a cobrir a área onde os catadores trabalhavam. A empresa espalha o lixo doméstico, compacta e cobre de entulho de obra e terra. O procedimento está sendo realizado em uma área de quatro hectares e ajuda a reduzir a quantidade de chorume (líquido produzido pela decomposição), a presença de animais e a concentrar a maioria dos gases nos dutos verticais. Agora, todo rejeito domiciliar vai para o Aterro Sanitário de Brasília.

O governo trabalha com a possibilidade de transformar o espaço do Lixão em um parque de captação de energia solar. Em contrapartida, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que a área pode demorar até 30 anos para deixar de ser um risco à população. De acordo com a coordenadora do departamento técnico da Abrelpe, Gabriela Otero, o ideal seria estabilizar a montanha de rejeitos, capturar e queimar o gás gerado e conduzir o chorume até uma estação de tratamento. "Não é fácil desativar um lixão. O fato de ele parar de receber resíduos domiciliares já é um grande ganho. Mas, ainda tem muito trabalho pela frente", comenta.

Gabriela ressalta que a presença de um lixão traz diversos problemas direta e indiretamente para a população. "O acúmulo de lixo em decomposição atrai vetores que propagam doenças. Não são só as pessoas da região que são afetadas, mas todos ao redor do local", explica. Ela destaca a formação de gases com potencial cancerígeno, que afetam também as mudanças climáticas. Além disso, o chorume se infiltra no solo e contamina as águas subterrâneas. Para Gabriela, implementar o Aterro e aproveitar o potencial máximo da reciclagem são as soluções para os problemas.  

Ver galeria . 4 Fotos Ed Alves/CB/D.A Press
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )


* Estagiário sob supervisão de Margareth Lourenço (especial para o Correio)
 

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