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Estado de Minas

Com a recuperação do Descoberto, Caesb pode estudar o fim do racionamento

O nível do reservatório ultrapassou 40%, valor que representa o dobro do detectado há um ano. Contudo, no mesmo período de 2016, o volume era de 58,3%


postado em 23/01/2018 14:17 / atualizado em 23/01/2018 14:59

"Estamos em uma situação muito melhor do que antes do racionamento, mas ainda não podemos dizer que superamos a crise hídrica", avaliou o presidente da Caesb, Maurício Luduvice (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
 
Pouco mais de um ano do início do racionamento de água, investimentos milionários em novas captações e mudanças na rotina da população, o Distrito Federal parece que vai sair como vencedor no combate à crise hídrica. Mesmo após uma semana sem chuvas, o nível do reservatório do Descoberto continuou a subir, passando dos 40%. Em entrevista ao Correio, o presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Maurício Luduvice, afirmou que, se os reservatórios continuarem nesse ritmo, após o fim do período de chuva, em maio, a companhia decidirá se o rodízio de abastecimento de água chega ao fim. 
 

Há um ano, o Descoberto marcava a metade do volume atual: 20%. Mas o percentual é inferior ao de temporadas passadas, quando marcava 58,3% (2016), 62,7% (2015) e 100% (2014). “Estamos em uma situação muito melhor do que antes do racionamento, mas ainda não podemos dizer que superamos a crise hídrica”, avaliou Luduvice. O motivo da preocupação do presidente da Caesb é a pausa no período chuvoso. A última vez que caiu água no DF foi na segunda-feira da semana passada. E, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva só deve voltar amanhã à noite, mas em pequena quantidade.

O veranico atual era esperado pela equipe do Inmet. “Um período de cerca de 10 dias sem precipitações, no meio de uma época chuvosa, é normal entre janeiro e março”, afirmou o meteorologista Hamilton Carvalho. Após dois meses com chuvas acima da média histórica, até o momento só foram registrados 95.9 milímetros, bem abaixo dos 247.4 previstos para janeiro. “Ainda há chance de pelo menos igualarmos com a meta, pois temos previsões de chuvas bem intensas para o fim deste mês”, adiantou o meteorologista.

A observação do nível dos reservatórios durante este veranico pode servir como um termômetro para identificar a estabilidade dos reservatórios, avalia o professor de engenharia civil do Centro Universitário IESB Charles Almeida. Isso ocorre porque a subida de 35 pontos percentuais nos últimos 70 dias vem, principalmente, do impacto da chuva. “Agora, temos que analisar o quanto dessas subidas se deve ao curso das águas que alimentam os reservatórios. É importante que a chuva seja armazenada no solo, para garantir o abastecimento das barragens durante o período da seca”, destacou.

Até o momento, durante os sete dias de veranico, o Descoberto subiu 1.4 ponto percentual, número bastante inferior ao do período de chuva, quando chegou a subir mais de 3 pontos percentuais em apenas um dia. “Não acredito que seja responsável suspender o racionamento agora, pois assim não vamos conseguir fazer o reservatório voltar aos 100%, como já marcou em outros anos”, explicou Charles Almeida.
 

Acima das previsões

Em dezembro do ano passado, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) divulgou as curvas de acompanhamento para o Descoberto até o fim do período chuvoso. Foram projetados três gráficos, com possíveis cenários, tendo em vista a expectativa de chuva. Na época, se caminhava junto do pior cenário, e agora o DF está rumo ao melhor. “Estamos bem acima do esperado para o fim de janeiro, que era 15% no Descoberto. No Santa Maria, também estamos acima, mas ainda é prematuro para se dizer que é uma situação confortável”, advertiu Paulo Salles, presidente da Adasa.

Nesta quinta-feira, completa um ano que o Distrito Federal vive em estado de emergência hídrica. No fim de novembro, a medida foi prorrogada por 180 dias, válida até maio. “Quando fizemos a curva, estávamos por esperar a chuva, que acabou vindo e revertendo o quadro. Ainda é cedo para falar de alteração no racionamento de água, seja para aumentar ou seja para diminuir o período de corte. Vamos aguardar o fim do período das chuvas para avaliar a quantidade de água que teremos para enfrentar a estiagem”, ponderou.

Quatro perguntas para Maurício Luduvice, presidente da Caesb

Com a subida do nível dos reservatórios nos últimos dias, começa a ser pensado o encerramento do racionamento de água? 
Vamos aguardar o fim da temporada de chuva (maio) para tomar uma decisão. Temos o dobro do volume que tínhamos no ano passado, além de água nova, mas ainda não podemos dizer que superamos a crise hídrica. A Caesb trabalha com planejamento, estamos sempre projetando o futuro, mas, no momento,  temos que continuar focados na economia de água e em entregar as obras que estão sendo feitas.

Mas agora a ampliação para dois dias é mais improvável? 
Sem dúvida, à medida que os reservatórios ganham nível, essa opção fica mais distante.

Quais são as próximas ações da Caesb de combate à crise hídrica? 
Estamos investindo em melhorias no sistema, fechando projetos para a rede de distribuição visando continuar a diminuir as perdas. Estamos finalizando a licitação da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Gama, além de continuar com as interligações que vão reduzir ainda mais a dependência ao Descoberto. Ao fim da crise hídrica, queremos ter um sistema mais flexível, robusto e confiável.

E a obra do volume morto do Descoberto? Em que fase está?
Fizemos um edital que acabou anulado devido a um problema na licitação. Ele vai ter que ser feito novamente, pois não houve acordo entre o preço que colocamos e o das empresas especializadas. Ainda não temos uma data para quando o novo edital será publicado. Mas a expectativa é deixar isso pronto, não quer dizer, necessariamente, que será utilizado agora, mas para ser usado no futuro.

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