Publicidade

Estado de Minas

Investigado na Máfia das Próteses ganha cargo no Instituto Hospital de Base

O médico Fabiano Dutra ficou 10 meses preso e foi inocentado. Agora, ele assumiu a chefia de Medicina Cirúrgica


postado em 06/02/2018 06:00 / atualizado em 06/02/2018 06:15

Ortopedista (D), em outubro de 2016, quando foi preso: obstrução da Justiça(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 19/10/16)
Ortopedista (D), em outubro de 2016, quando foi preso: obstrução da Justiça (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 19/10/16)

Um dos médicos investigados na Operação Mister Hyde, que apura a colocação de órteses e próteses sem necessidade, vencidas e superfaturadas em pacientes, assumiu uma gerência no recém-criado Instituto Hospital de Base (IHBDF) — responsável pela maior  unidade médica da capital. O traumatologista e ortopedista Fabiano Duarte Dutra é gerente de Medicina Cirúrgica. Ele tomou posse em 15 de janeiro. Fabiano ficou 10 meses preso. Em agosto do ano passado, Fabiano foi considerado inocente por falta de provas, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Contudo, o Ministério Público apelou da absolvição e o processo continua tramitando. Segundo promotores, há filmagens do médico queimando provas no Parque Dom Bosco.
O médico teria queimado, segundo o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), documentos que comprovariam a atuação da Máfia das Próteses. Ele foi preso em outubro de 2016, acusado de obstrução da Justiça.

Fabiano foi coordenador técnico da ortopedia da Secretaria de Saúde. Ele tinha o poder de comprar e escolher os fornecedores de próteses. Após ser preso, ele acabou exonerado do cargo. Fabiano também atendia no Hospital Home, na L2 Sul.

As investigações apontam que o esquema lucrou mais de R$ 30 milhões em cinco anos. Mais de 200 pacientes denunciaram cirurgias com possíveis ligações com a Máfia das Próteses. Fabiano nega qualquer tipo de envolvimento. A operação apura suposto conchavo composto por médicos, hospitais e empresas de órteses e próteses e que enriqueciam com a realização de cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos e uso de produtos vencidos em pacientes.

Apesar de ter sido preso na terceira fase da Operação Mister Hyde, o médico estava sob os olhos da Justiça desde a primeira etapa da investigação, quando uma suposta vítima dele teria procurado a Polícia Civil para denunciá-lo. O Correio não localizou a defesa de Fabiano e ele não quis dar entrevista. 

Versão oficial


O Instituto Hospital de Base (IHBDF) e a Secretaria de Saúde informaram, em uma nota conjunta, que Fabiano é médico de carreira da pasta e optou por permanecer no Hospital de Base durante a reforma administrativa. Segundo o texto, Fabiano foi escolhido como gerente de Medicina Cirúrgica por “competência”. Antes, Fabiano trabalhou como gerente de Emergência.

A Secretaria de Saúde criou o Instituto Hospital de Base com o objetivo de dar mais eficiência e qualidade, com otimização dos custos e dos processos de compra de insumos e contratação de serviços e profissionais. A mudança passou a valer em 12 de janeiro. A unidade médica tem orçamento anual de R$ 602 milhões. Até o fim do contrato, o hospital terá de aumentar os atendimentos em 20%.

Produtos vencidos

 
A Mister Hyde foi deflagrada em setembro de 2016, pela Polícia Civil do DF e pelo MPDFT. A suspeita é de que os médicos envolvidos identificavam pacientes, cujos históricos viabilizavam a sugestão de cirurgias com órteses e próteses. Eles, então, alinhavam contratos com empresas que vendiam esses insumos. Durante a negociação, era estabelecida a recompensa financeira para os profissionais, devido à indicação dos materiais — o valor do retorno financeiro era proporcional à quantidade de instrumentos solicitados.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade