Descoberta de água em lua de Júpiter sugere vida fora da Terra

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/11/2011 10:45

Max Milliano Melo

JPL/Nasa
Europa é uma das quatro luas de Júpiter descobertas por Galileo Galilei, no século 15. O pequeno ponto brilhante no céu é uma das chaves do Universo, por ser, com Marte, o local que abriga as melhores condições ambientais para a vida extraterrestre, o que poderia responder positivamente a questão: estamos sozinhos na Terra? Uma nova descoberta publicada na edição de hoje da revista científica Nature reforça ainda mais a possibilidade de alguma forma de ser vivo habitar o corpo celeste. Cientistas norte-americanos anunciaram terem descoberto um imenso conjunto de lagos com água líquida escondidos sob uma espessa camada de gelo.

Para encontrar as gigantescas formações de água, que têm 3km de profundidade e estão encobertas por uma grossa camada de 10km de gelo, os pesquisadores contaram com uma nova ajudinha de Galileo. Dessa vez, no entanto, não foi o cientista italiano, mas a sonda batizada em sua homenagem que encontrou características irregulares na superfície da lua do planeta que fica 600 milhões de quilômetros distante da Terra.

Comparando as formações, com irregularidades semelhantes às que existem na Terra, os especialistas constataram que se trata de um gigantesco lago, de dimensões quase semelhantes às dos Grandes Lagos — Superior, Michigan, Huron, Erie, e Ontario — situados entre o Canadá e os Estados Unidos. “Essa nova compreensão de processos em Europa não teria sido possível sem a fundação dos últimos 20 anos de observações das camadas de gelo da Terra e das plataformas de gelo flutuante”, disse Don Blankenship, do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas.

Evidências
As fotos foram tiradas pela sonda da Nasa, a agência espacial norte-americana, entre 1995 e 2003, mas nunca nenhum modelo ou teoria tinha conseguido explicar o que seriam as formações irregulares. “Uma ideia corrente na comunidade científica é a de que, se a camada de gelo é espessa, isto é ruim para a biologia”, afirmou Britney Schmidt, geofísico da Universidade do Texas, em Austin, que chefiou a pesquisa. “Agora vemos evidências de que mesmo a camada de gelo sendo espessa, ela pode se misturar vigorosamente. Isso poderia tornar Europa e seu oceano mais habitáveis”, acrescentou.

De acordo com os especialistas, a formação de água em estado líquido se deu por interações entre o conteúdo interno do satélite e sua crosta gelada. Segundo eles, abaixo de placas flutuantes de gelo e sob geleiras que encobrem vulcões, a interação entre o gelo e jatos de água quente vinda do interior de Europa dá vazão a um fenômeno denominado terreno caótico, responsável pelos bolsões do líquido. A água quente desses lagos subsuperficiais jorram em plumas, fazendo com que o gelo fique frágil, rache e finalmente ceda.

A nova descoberta aumenta ainda mais a chance de existir alguma forma de vida na lua de Júpiter. Isso porque, além da água em forma líquida, pesquisas anteriores já haviam descoberto compostos orgânicos — que são a base da composição dos seres vivos. Além disso, Europa possui calor proveniente dos vulcões, principal fonte de energia para os seres vivos. Se confirmada a teoria dos pesquisadores dos Estados Unidos, a lua se tornará o principal alvo da busca de vida — mesmo que microscópica — fora do planeta Terra.

Mesmo com boas chances de que seu modelo esteja correto, ainda não está completamente confirmada a teoria dos norte-americanos. Para isso seria necessária uma expedição até Europa para extrair amostras de gelo — e provavelmente de água.

Mesmo assim, muitos cientistas estão otimistas quanto à possibilidade de haver água líquida na lua de Júpiter. “Eu li a pesquisa e, imediatamente, pensei, sim, isso faz sentido”, disse Robert Pappalardo, pesquisador da Seção de Ciência Planetária da NASA em um comunicado à imprensa. “É o único modelo convincente que se encaixa em toda a gama de observações. Para mim, isso diz que sim, essa é a resposta certa”, completa.



Características de Europa


Circunferência orbital 4 215 389,017 km
Excentricidade 0,009
Velocidade orbital 13,740 km/s
Diâmetro equatorial 3128 km
Área da superfície: 0,061 o da Terra
Volume 0,015 o da Terra
Densidade média 3,01 g/cm³
Dia sideral 3 dias, 13 horas, 13 minutos e 42 segundos
Temperatura média: -171,15 ºC
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.