Ele é tão raro que chegou a ser considerado extinto, “ressurgindo” na década de 1980, para a perplexidade dos conservacionistas. Agora, as esperanças de que o gorila do Rio Cross (Gorilla gorilla diehli), subespécie que vive em montanhas entre a Nigéria e a República de Camarões, tenha um longo futuro pela frente aumentaram consideravelmente. Análises por satélite revelaram que uma área muito maior do que se imaginava é adequada à sua sobrevivência — a subespécie tem dificuldades para se adaptar, pois prefere viver em florestas com altitudes entre média a baixa. As imagens também indicaram a existência de um corredor natural que, se protegido, pode ajudar os grupos a se locomoverem por áreas extensas, juntando-se a outros membros da Gorilla gorilla diehli.
As descobertas foram publicadas na edição on-line da revista conservacionista Oryx, editada pela Universidade de Cambrigde. Usando imagens de satélite de alta resolução, a equipe de biólogos, liderada por Richard A. Bergl, pesquisador do Zoológico da Carolina do Norte, mapeou a distribuição de florestas e outros tipos de cobertura vegetal na região do Rio Cross, o principal do sudeste nigeriano. Para confirmar os dados, os cientistas fizeram uma expedição in loco, investigando 400 regiões fotografadas pelos satélites — o sistema mostrou-se bastante preciso: a classificação de cobertura vegetal ultrapassou 90% de acertos.
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| Imagem de um primata Gorilla gorilla diehli, em parque na República de Camarões: de tão rara, a subespécie chegou a ser considerada extinta antes da década de 1980 |
Em seguida, a equipe cruzou esses dados com informações ambientais e conseguiu determinar a extensão do hábitat dos gorilas do Rio Cross. Cada área da região foi analisada pelos pesquisadores, que classificaram se eram muito, médio ou pouco apropriadas à vida dos gorilas. Eles levaram em consideração informações como proximidade de agrupamentos humanos, geografia e clima.
Com o mapeamento adequado para guiá-los, os cientistas selecionaram 12 locais que reuniam todas as peculiaridades necessárias para abrigar os gorilas do Rio Cross. Na maioria delas, nunca houve registro da presença desses primatas, mas, para a satisfação da equipe, foram encontrados rastros do animal, como esterco e resquícios de acampamentos, em 10 das 12 áreas investigadas. “Conseguimos confirmar o valor do uso de satélites para calcular hábitats adequados e, assim, priorizar as áreas em que são necessárias pesquisas adicionais”, observou Richard A. Bergl. “O resultado do estudo representa uma expansão significativa do hábitat dos gorilas do Rio Cross: a área que pode ser ocupada por eles é 50% maior do que pensávamos. Esse estudo é um grande exemplo de como a pesquisa científica pode ser aplicada diretamente para a conservação de grandes primatas”, completou.
A matéria completa você lê na edição desta quinta-feira (2/2) do Correio Braziliense
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