Ciência e Saúde

Musculação pode ajudar no controle da pressão tão bem quanto à medicação

postado em 07/02/2012 08:00
Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constataram que exercícios de força ; essencialmente, musculação ; realizados por portadores de problemas moderados de pressão arterial obtêm resultados benéficos semelhantes aos registrados pela medicação contínua. A descoberta derruba o mito de que apenas as atividades aeróbicas (como natação e caminhada) surtiam efeitos positivos para o controle do mal. Outro benefício constatado é que, mesmo quatro semanas após a suspensão do exercício, a redução da pressão se manteve estável.

O coordenador do estudo, o biólogo molecular Ronaldo Araújo, explica que na literatura médica já tinham sido comprovados os benefícios dos exercícios aeróbios no controle da hipertensão, embora não houvesse uma justificativa plausível para a não indicação da musculação para esses pacientes. ;Essa parte era muito confusa. Apenas dois estudos pesquisaram os efeitos da musculação nesses pacientes e, mesmo assim, nada foi comprovado;, recorda. Foi isso que levou o biólogo molecular Milton Rocha de Morais a escolher o tema para a sua tese de doutorado em fisiologia do exercício.

Morais conta que reuniu 15 homens hipertensos com idade média de 46 anos e os acompanhou por seis semanas antes de iniciar o treino. Esses indivíduos tiveram os medicamentos para controle da pressão retirados gradativamente com acompanhamento de cardiologistas. Durante 12 semanas depois do período de preparação, esses pacientes treinaram musculação convencional ; ou seja, cada exercício repetido três vezes, com carga moderada ; e trabalharam sete grupos musculares: abdômen, pernas, parte interna e externa das coxas, ombros, bíceps e tríceps. ;O treino foi realizado três vezes por semana em dias alternados, para que os músculos pudessem descansar;, atenta.

Aos 75 anos, Aparecida deixou completamente de lado, com o auxílio da musculação, os medicamentos inicialmente indicados para a hipertensão

Os resultados foram animadores. A média anterior da pressão era de 153 milímetros sistólica e 96 milímetros diastólica. Com o treino, essa taxa caiu para 137/84, e os pacientes obtiveram também aumento da força física e da flexibilidade. Morais acredita que vários mecanismos podem ter influenciado no resultado final, entre os quais a vasodilatação ou o aumento de força. ;Um outro estudo, que acompanhou hipertensos por 27 anos, comprovou que quanto mais massa muscular o hipertenso tem, mais tempo ele vive;, ressalta. Morais explica que o aumento de músculo permite que o paciente execute as tarefas diárias sem precisar fazer muito esforço.

Embora o estudo não tenha avaliado o benefício da prática em idosos, Morais acredita que os resultados podem não ser tão satisfatórios, pois as artérias já teriam sofrido tempo demais com o mal. ;Mas isso não quer dizer que a musculação não tenha efeito positivo nesses pacientes. Acredito que o resultado varia de acordo com o método aplicado nessas pessoas;, especula.

Depois de se divorciar, a artista plástica Aparecida Abdalla, 75 anos, deu sinais de hipertensão. Ela conta que passou um período de tanto nervosismo que a pressão subiu, fazendo com que ela buscasse ajuda. O cardiologista dela foi enfático, prescrevendo medicação concomitante à atividade física. ;Já se passaram seis anos. Os resultados foram ótimos, tanto que hoje não tomo mais remédio;, comemora. As vantagens das atividades foram tantas que, atualmente, Aparecida pratica os exercícios como tratamento para artrose no joelho. ;Fui indicada para cirurgia, mas sei que esse procedimento não é garantia de sucesso. Estou reforçando os meus ligamentos e já percebo os benefícios;, diz.

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