Estudo liga uso de paracetamol na gravidez a risco de TDAH em crianças

Em comparação, as que tomaram o analgésico tinham 29% mais probabilidades de ter filhos aos quais foram prescritos remédios para o déficit de atenção com hiperatividade (THDA)

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/02/2014 21:02

France Presse

O acetaminofeno (paracetamol), analgésico de uso comum, considerado seguro para mulheres grávidas, foi vinculado pela primeira vez ao risco de as crianças virem a desenvolver transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (THDA), segundo uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (24/2) nos Estados Unidos.

Serão necessários mais estudos para confirmar as descobertas. No entanto, especialistas da Universidade da Califórnia e da Universidade de Aharus (Dinamarca) descobriram que as mulheres grávidas que tomaram acetaminofeno tiveram um risco 37% maior de ter filhos que mais tarde seriam diagnosticados com transtorno hiperquinético, uma forma particularmente severo de transtorno de hiperatividade com déficit de atenção (THDA).

A origem desta condição, que afeta 5% das crianças americanas, ainda é desconhecida. Segundo o estudo publicado na revista da Associação Médica Americana, em comparação com as mulheres que não tomaram o analgésico estando grávidas, as que o fizeram tinham 29% mais probabilidades de ter filhos aos quais foram prescritos remédios para o THDA e 13% mais chances de ter filhos com condutas parecidas às do THDA por volta dos sete anos.

Leia mais notícias em Ciência e Saúde

Pesquisas anteriores tinham sugerido que o acetaminofeno pode interferir com o funcionamento normal dos hormônios e poderia afetar o desenvolvimento cerebral do feto.

A pesquisa se baseou em dados de mais de 64 mil mulheres dinamarquesas entre 1996 e 2002. Mais da metade delas disse ter tomado acetaminofeno pelo menos uma vez durante a gravidez.

Especialistas advertiram que os resultados da pesquisa não provam que o medicamento seja a causa do TDAH nas crianças, mas apenas um vínculo preliminar entre os dois fatores.

"Os resultados deste estudo deveriam ser interpretados com cautela e não deveriam mudar as práticas habituais", afirmou, em um editorial da revista, um grupo de especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff.