SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Fluido vaginal da mãe reforça sistema imunológico de filho após cesárea

Cientistas retiraram fluidos vaginais de mães antes do parto cirúrgico e passaram o material no corpo dos bebês assim que eles nasceram. O contato com os micro-organismos maternos reforçou o sistema imunológico dos filhos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 03/02/2016 11:48

Cristiano Gomes/CB/DA Press
O primeiro ensinamento que a mulher transmite ao filho se dá durante o parto, quando o bebê fica exposto aos fluidos vaginais da mãe, incorporando a microbiota presente no corpo dela ao seu organismo ainda imaturo. Esse processo “educa” o sistema imunológico da criança, acostumando a pele, o intestino e outros órgãos com os micro-organismos benéficos à saúde e estimulando a formação de colônias que vão protegê-la até a vida adulta. No entanto, o índice crescente de cesarianas priva um número cada vez maior de recém-nascidos dessa importante bênção materna.

Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos está tentando contornar esse problema por meio de um método que reproduz a transferência microbial do parto natural nos nascimentos via cesariana. O trabalho pioneiro desenvolvido na Universidade de Nova York mostra que a aplicação de uma amostra do fluido vaginal materno sobre a criança depois do nascimento por cesárea pode transferir parte da microbiota protetora da mãe para o bebê.

Os autores do estudo explicam como o método funciona em um artigo publicado nesta semana na revista Nature Medicine. O procedimento tem início uma hora antes do parto, quando uma gaze esterilizada é inserida na vagina da mãe. A intenção é absorver os fluidos vaginais produzidos até a hora do nascimento. Depois que o bebê vem ao mundo, os médicos esfregam o material na pele e na boca dele, simulando a exposição que receberia se tivesse passado pela vagina da mãe. O método é chamado de seeding (semeadura, em inglês).

Leia mais notícias em Ciência & Saúde

A técnica foi testada em quatro crianças, que tiveram a microbiota comparada com a de sete bebês que nasceram por parto natural e com sete que passaram pela cesariana. Durante um mês, os pesquisadores realizaram uma série de testes de sequenciamento genético de amostras retiradas da pele, da boca e do ânus dos bebês e viram quais micro-organismos se desenvolveram em cada um dos recém-nascidos.

A equipe analisou mais de 1,5 mil amostras, e técnicas estatísticas foram usadas para classificar mais de 6,5 milhões de fragmentos de DNA. A comparação sistemática do material mostrou que a microbiota dos bebês que passaram pelo procedimento de transferência microbial é mais semelhante à das crianças nascidas por parto natural do que àquelas nascidas pela cesárea tradicional. Entre os micro-organismos que foram passados da microbiota vaginal para o filho, estão os lactobacilos e os bacteroides, espécies que têm um importante papel na preparação do sistema imune e na formação de imunidade contra bactérias.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.