HPV se aproveita de fragilidade emocional do paciente

Os autores do estudo, divulgado na semana passada durante a reunião da Sociedade Americana de Pediatria, destacam que o trabalho constata suspeitas que já haviam sido levantadas na área médica e reforça a necessidade de mudança de estilo de vida em mulheres com HPV

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postado em 03/05/2016 06:02

Diferentes estudos têm mostrado que estresse e depressão, além de afetarem a qualidade de vida, enfraquecem o sistema imunológico. Agora, pesquisadores americanos constatam que esse efeito pode ser especialmente perigoso para mulheres com o papiloma vírus humano (HPV). Após acompanharem por 11 anos jovens infectadas pelo micro-organismo, os cientistas descobriram que esses problemas emocionais, principalmente se aliados a hábitos pouco saudáveis, como fumar e beber, aumentam a capacidade de o vírus agredir o organismo.

Os autores do estudo, divulgado na semana passada durante a reunião da Sociedade Americana de Pediatria, destacam que o trabalho constata suspeitas que já haviam sido levantadas na área médica e reforça a necessidade de mudança de estilo de vida em mulheres com HPV. Segundo eles, para essas pacientes, é fundamental buscar por estilos de vida menos desgastantes para reduzir as chances de aparecimento do câncer de colo de útero, enfermidade causada pelo vírus.

A análise teve início em 2000, quando 333 mulheres que tinham em média 19 anos e haviam sido diagnosticadas com o HPV passaram a ser acompanhadas. As voluntárias realizavam visitas semestrais aos médicos responsáveis pelo estudo para a coleta de amostras. Nessas ocasiões, também respondiam um questionário sobre seus hábitos e como estavam se sentindo. Algumas das perguntas serviam para avaliar o nível de estresse e depressão enfrentado pelas participantes e como elas lidavam com esses problemas.

Após 11 anos de acompanhamento, os pesquisadores analisaram os dados, cruzando as informações colhidas pelos questionários com os exames médicos. Constatou-se um aumento considerável no nível de presença do vírus nas voluntárias com maior desgaste emocional. “Descobrimos que as mulheres que estavam deprimidas ou que haviam sofrido muito estresse eram mais propensas a ter persistência do HPV”, declarou em um comunicado Anna-Barbara Moscicki, professora de pediatria e pesquisadora da Universidade da Califórnia.

Outro ponto observado pelos investigadores foi a influência de hábitos pouco saudáveis com a constância do HPV. “As mulheres que relataram estratégias autodestrutivas para enfrentar problemas emocionais, como beber, fumar cigarros ou usar drogas quando estavam estressadas, eram propensas a ter o HPV mais ativo no organismo”, destacou a autora.
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