Estudo mostra que ainda há muita desinformação sobre o Lúpus

Ao contrário do que parte da população pensa, a enfermidade não é um tipo de câncer nem é transmissível por relações sexuais ou contato com os pacientes

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postado em 10/05/2016 06:00 / atualizado em 10/05/2016 12:47

Documentos históricos relatam que o médico italiano Rogerius (1120 – 1195) foi o primeiro a usar o termo lupus (lobo, em latim) para descrever lesões faciais erosivas que observou em algumas das pessoas que atendia. Para o mestre da Escola de Medicina de Salerno, as erupções avermelhadas no rosto assemelhavam-se a mordidas de lobo ou, segundo outra versão, deixavam o paciente com uma aparência semelhante à do animal. Embora os avanços no conhecimento médico tenham eliminado os folclores a repeito do lúpus e esclarecido muitos aspectos da doença autoimune, na qual o corpo produz células imunes que atacam o próprio organismo, ainda há muito desconhecimento da população sobre a enfermidade, o que reforça estigmas sobre os pacientes.

Para se ter uma ideia, um estudo tornado público hoje — quando se celebra o dia mundial de combate à doença — revela que 15% dos habitantes de 16 países investigados nunca ouviram falar sobre o mal. Além disso, dos que julgam ter algum conhecimento, 2% disseram que lúpus é um tipo de comida, 8% afirmaram ser uma planta, e 11%, uma bactéria. No levantamento, o Brasil aparece com um índice de informação acima da média global, com 81% dos entrevistados tendo respondido corretamente que se trata de uma doença (veja gráficos ao lado).

No entanto, mesmo entre aqueles conscientes de que lúpus é uma condição médica, há muito desinformação, afirma Frederico Marcondes, gerente médico da GSK, empresa que encomendou o levantamento. “Vemos muita confusão da população geral e até mesmo dos próprios pacientes. Ao serem diagnosticados, eles acham que estão com câncer, com alguma doença infecciosa ou algo que vai gerar alguma brevidade na vida deles. E não é assim que acontece na prática”, afirma.

Ana Patrícia do Nascimento, doutora em reumatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e médica assessora de imunologia do Laboratório Exame, aponta que também é muito comum o temor de que a doença seja contagiosa. Esse receio infundado também foi constatado no estudo: 13% de todos mais de 16 mil entrevistados no mundo e 18% dos brasileiros ouvidos acham que é possível contrair lúpus por relação sexual desprotegida. Ainda segundo o estudo, 11% do total e 12% dos participantes no Brasil se sentem muito desconfortáveis em abraçar uma pessoa com lúpus.
 
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