Tratamento de traumas aumenta casos de ansiedade e depressão em Serra Leoa

Programa de reconciliação em Serra Leoa após guerra civil se mostrou eficaz para melhorar a coesão social, mas gerou aumento nos casos de ansiedade e depressão, aponta estudo. Achados podem tornar mais eficaz o atendimento a vítimas de eventos violentos

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postado em 13/05/2016 06:10

Fotos: Jeffrey Steinberg/Divulgação


“Só os mortos conhecem o fim da guerra.” A frase atribuída ao filósofo espanhol George Santayana expressa a capacidade que os conflitos armados têm de deixar marcas permanentes nas pessoas que os vivenciaram. Como, então, indivíduos e grupos podem se recuperar de períodos de grande violência? É essa a pergunta feita em um artigo publicado na edição desta semana da revista especializada Science.

Para chegar a uma resposta, a equipe liderada por Jacobus Cilliers, professor da Escola McCourt de Políticas Públicas, ligada à Universidade Georgetown (EUA), avaliaram o efeito de intervenções sociais realizadas em Serra Leoa após a guerra civil que dividiu a nação, entre 1991 e 2002. A equipe de Cillies tomou conhecimento desse trabalho em 2009, quando realizava um estudo de campo sobre a percepção da presença estrangeira no país africano.

Realizada pela ONG Fambul Tok (nome que significa “discussão em família”, no idioma krio), a intervenção consistia em cerimônias que duravam dois dias e nas quais as vítimas de violência narravam o que tinham passado e os perpetradores de crimes de guerra confessavam seus atos e pediam perdão. “Ouvimos dizer que o programa tinha alta demanda, e muitas aldeias desejavam passar pelo processo de reconciliação, mesmo com a guerra tendo terminado terminado algum tempo antes”, conta ao Correio Oeindrila Dube, coautora do estudo e professora de política e economia da Universidade de Nova York (EUA).

A equipe conseguiu, então, acompanhar fóruns realizados entre 2011 e 2012 em 200 aldeias, das quais 100 haviam sido escolhidas aleatoriamente para receber o programa. Foi possível, depois disso, estudar 2.383 pessoas que tinham participado das cerimônias, registrando suas atitudes em relação a antigos combatentes e avaliando sua saúde mental por meio de questionários.

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