Estudo mostra como as girafas evoluíram para assumir características únicas

Animal possui ossos longuíssimos e um coração poderoso, necessário para bombear o sangue pescoço acima

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postado em 18/05/2016 07:23

	Doug Cavener/Divulgação

Com suas pernas e pescoço alongados, a girafa é um dos mais fascinantes animais da vida selvagem. Capaz de intrigar desde leigos até o naturalista Charles Darwin, ela, pela primeira vez, teve seu genoma sequenciado. A ideia dos pesquisadores da Universidade de Penn State, nos Estados Unidos, e do Instituto Africano para Ciência e Tecnologia Nelson Mandela, na Tanzânia, foi justamente decifrar os segredos adaptativos de um ser único na natureza. O resultado do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

“A estatura da girafa, dominada por seu longo pescoço e pelas pernas compridas, e com uma altura média que pode chegar a 6m, é uma proeza extraordinária da evolução, que tem inspirado curiosidade e admiração há pelo menos 8 mil anos, época em que foram executadas os famosos entalhes nas rochas de Dabous, da República da Nigéria”, afirma o biólogo Douglas Cavener, pesquisador de Penn State e um dos autores do estudo, ao lado de Morris Agaba, cientista do Instituto Nelson Mandela.

“As mudanças evolutivas necessárias para formar a estrutura imponente da girafa e equipá-la com as modificações necessárias para suas corridas (que atingem 60km/h) e sua poderosa função cardiovascular continuavam um mistério desde 1800, quando Charles Darwin teorizou sobre suas origens evolutivas”, prossegue Cavener. Para fornecer oxigênio para o cérebro, o coração do animal precisa bombear o sangue dois metros acima. Isso é possível porque o órgão evoluiu para ter um ventrículo esquerdo bastante grande. Outra estratégia do organismo é a pressão sanguínea, duas vezes mais alta que dos outros mamíferos.

Para identificar as mudanças no DNA que provavelmente foram responsáveis pelas características únicas da girafa, Cavener e Agava compararam as sequências genéticas da espécie e do ocapi (a girafa das florestas) com as de mais de 40 outros animais, incluindo vaca, ovelha, cabra, camelo e humanos. “A genética do ocapi é muito similar à da girafa porque eles divergiram de um ancestral comum há apenas 11 ou 12 milhões de anos, algo relativamente recente na escala de tempo evolutiva”, explica Cavener. “Apesar dessa relação evolutiva próxima, o ocapi parece mais com uma zebra e não tem a altura imponente da girafa nem suas capacidades cardiovasculares impressionantes. Por essas duas razões, ele fornece uma poderosa ferramenta para identificarmos mudanças genéticas únicas da girafa”, observa.

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Adaptação
Depois de fazer uma bateria de testes comparativos das sequências dos dois bichos, os cientistas descobriram 70 genes que indicaram sinais múltiplos de adaptação. Eles incluem substituições de sequências de aminoácidos que alteram a função de proteínas e da seleção natural. Cerca de metade desses genes codificam proteínas conhecidas por regular o desenvolvimento e a fisiologia do esqueleto e dos sistemas cardiovascular e nervoso — justamente o que seria necessário para conduzir o aparecimento das características peculiares da girafa.

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