Antibióticos prejudicam a memória e a renovação das células neurais

Os estragos podem estar ligados a alterações nas bactérias do intestino, também provocadas pela droga

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postado em 21/05/2016 08:10


Antibióticos são as principais armas usadas no combate a infecções, mas têm gerado preocupação entre especialistas. O consumo exacerbado desse medicamento pode provocar a resistência das bactérias a ele e, consequentemente, a perda do poder curativo. Agora, pesquisadores da Alemanha detectaram um problema que acende ainda mais o alerta em torno dessas substâncias. Em experimentos com ratos, observaram que elas causaram danos neurológicos nos animais. Os malefícios neurais seriam desencadeados pela diminuição de bactérias benéficas do intestino, depredadas pelos remédios. A boa notícia é que os cientistas do estudo também encontraram uma maneira de evitar o problema: ingestão de probióticos e prática de exercícios físicos.

A pesquisa, detalhada na revista internacional Cell Reports, surgiu com base em investigações anteriores, nas quais os especialistas viram que os linfócitos T — grupo de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo — são necessários para manter a neurogênese do cérebro, ou seja, a capacidade de renovação de células. Com base nessas descobertas, os cientistas partiram para testes com animais. “Um grupo de investigadores me apresentou um modelo de rato que, devido ao tratamento prolongado com um coquetel de antibióticos, tinha a microbiota reduzida”, contou ao Correio Susanne Asu Wolf, autora principal do trabalho e pesquisadora do Centro de Medicina Molecular Max-Delbrueck.

No experimento, os cientistas deram antibióticos a um grupo de ratos em uma quantidade suficiente para que perdessem quase que totalmente os micróbios intestinais. Ao comparar os roedores medicados com animais que não receberam o remédio, a equipe notou que os tratados com a droga apresentavam pior desempenho de memória e perda da neurogênese no hipocampo, área cerebral integrante do sistema límbico, que regula as emoções. Também constatou-se que os animais do primeiro grupo tinham níveis mais baixos de Ly6Chi — um tipo de célula de defesa — no cérebro, no sangue e na medula óssea.

Com base nesses achados, os pesquisadores acreditam que há o risco de os antibióticos prejudicarem estruturas neurais, um efeito que pode ser desencadeado pelo impacto da droga no intestino. “De qualquer forma indireta, eles influenciam. Seja por esgotar, seja por alterar a microbiota intestinal, o que pode afetar o sistema imunitário. O mecanismo ainda é desconhecido, mas vimos que o tratamento prolongado com antibiótico pode sensibilizar a função cerebral”, garantiu Wolf.

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