Primeiros mosquitos Aedes com zika são capturados no Rio de Janeiro

Até então, pesquisadores lidavam com insetos infectados apenas em laboratório. A descoberta feita pela Fiocruz fortalece o entendimento de que o inseto é o transmissor do vírus responsável pela atual epidemia no Brasil

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postado em 24/05/2016 06:50

Rafael Neddermeyer


Apesar de ser o país da América Latina mais afetado pela epidemia do zika, com cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas e quase 1,3 mil casos de microcefalia associados, o Brasil ainda não havia registrado nenhum mosquito Aedes aegypti contaminado com o vírus em seu estado natural, isto é, fora do laboratório. “Tínhamos apenas sugestões de estudos anteriores de que o zika era transmitido pelo Aedes, mas nunca havíamos achado nenhum livre, infectado, voando por aí. Agora, pela primeira vez, encontramos no Rio de Janeiro espécimes livres e contaminados, o que é inédito em toda a América do Sul”, conta ao Correio Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e líder do estudo.

Ao longo de 10 meses, cerca de 1,5 mil mosquitos foram capturados, por meio de equipamentos de aspiração, nos arredores de residências de pessoas que apresentavam sintomas da infecção. Segundo Ricardo Lourenço, até os resultados preliminares das pesquisas de vigilância e monitoramento do IOC, realizadas em parceria com a prefeitura da capital fluminense e a médica Patrícia Brasil, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), poucos eram os relatos de mosquitos naturalmente infectados.

Dos insetos capturados no Rio de Janeiro, metade era Aedes aegypti. Técnicas de análise molecular e isolamento viral apontaram que quatro eram portadores do zika. Eles pertenciam a três conjuntos de insetos encontrados nos bairros Coelho da Rocha, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense; e Realengo, na zona norte-fluminense. “Embora tenhamos coletado vários tipos diferentes de mosquito, nenhuma outra espécie além de Aedes aegypti estava infectada. O número é pequeno, mas, mesmo assim, esperado”, acrescenta Lourenço.

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O pesquisador explica que o vírus zika foi descoberto em 1947. Já nas décadas de 1950 e 1960, começou-se a realizar, por curiosidade, experimentos de laboratório nos quais descobriu-se que a infecção ocorria pela picada do mosquito. “Nos anos de 1960, houve uma epidemia na Malásia e foram encontrados Aedes infectados nas casas. Mosquitos Aedes albopictus foram confirmados como os transmissores do Gabão e, recentemente, no México. Essas informações orientaram todo o resto de suposições de que as epidemias na Polinésia Francesa, na Micronésia, na Nova Caledônia e na América Latina também seriam fruto desse tipo de mosquitos infectados”, detalha.

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