Pesquisadores devem importar vespa para melhorar figo nacional

O interesse dos produtores pela B. psenes está na capacidade de ela polinizar espécies que hoje não podem ser cultivadas no país, onde a única variedade plantada é o figo-roxo

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postado em 24/05/2016 06:58

Larissa Elias/Divulgação


Um pequeno inseto é a esperança dos produtores de figos brasileiros para melhorar a qualidade do fruto produzido no país, aumentando, assim, a participação no mercado internacional. Atendendo a um pedido dos agricultores, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começam a estudar a viabilidade de trazer para o território nacional vespas da espécie Blastophaga psenes, comuns na Europa e responsáveis por polinizar diversas variedades de figo.

A ideia de importar vespas da Europa veio dos produtores, que procuraram especialistas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) estudiosos do fruto. Os cientistas da instituição, então, procuraram a Embrapa para que a avaliação fosse feita em conjunto. “Esse é um exemplo perfeito de como estudos científicos podem ajudar a comunidade e de como a universidade pode trazer resultados positivos para os produtores”, diz ao Correio Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, no Pará.

O interesse dos produtores pela B. psenes está na capacidade de ela polinizar espécies que hoje não podem ser cultivadas no país, onde a única variedade plantada é o figo-roxo. Esse fruto não precisa da polinização para ser gerado, mas não apresenta sementes, o que o torna mais perecível e o torna pouco atraente para exportação. Caso o estudo da Embrapa e da Unesp conclua que a inserção dos insetos no Brasil é segura, os agricultores poderão, portanto, entrar em um novo mercado.

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Para entender o processo de polinização, é preciso saber que o figo é uma espécie de fruto invertido. Suas flores ficam em seu interior. A vespa costuma entrar no figo para depositar suas larvas, que, depois de se desenvolverem lá dentro, abandonam o fruto levando consigo um pouco de pólen, ajudando, assim, na reprodução da planta. É graças a esse processo que surgem tipos como o smirna, ou figo-turco, uma das variedades mais consumidas no mundo. “São mais de 700 espécies de figo, e existe um polinizador específico para cada uma”, explica Menezes.

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