Pesquisa: gene estimula ratos machos a atacarem filhotes de outro animal

Contudo, esse efeito só surge em roedores que ainda não tiveram contato sexual

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postado em 31/05/2016 07:26

Divulgação


Um dos mais instigantes comportamentos do mundo animal é o ataque que machos fazem contra filhotes que não foram gerados por eles, mesmo sendo da mesma espécie. A busca por matar a prole alheia é interpretada por cientistas como uma estratégia evolutiva, uma forma de o animal garantir que serão os próprios genes, e não os de um adversário, que prevalecerão. Agora, um estudo recente feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e cientistas da Inglaterra traz novas informações sobre os mecanismos por trás desse ato, revelando sua complexidade e trazendo pistas até mesmo sobre a origem da agressividade humana.

Já se desconfiava que o olfato cumpriria um papel importante no comportamento que um macho adota quando se depara com filhotes de sua espécie. A nova pesquisa, contudo, conseguiu identificar em camundongos um conjunto de neurônios responsável por disparar o ataque contra a prole de outro animal e que, curiosamente, só gera esse efeito em roedores adultos e que ainda não tiveram relações sexuais. Ou seja, as interações sociais do bicho fazem toda a diferença na reação que ele terá à ativação dessas células nervosas.

“Nossos resultados descrevem, pela primeira vez, uma população de neurônios sensoriais com uma identidade molecular específica envolvida na detecção do odor de filhotes. Além disso, trata-se de um dos primeiros registros da atividade de um grupo de neurônios sensoriais que depende da condição social e é sexualmente dimórfico”, descrevem os pesquisadores no estudo. Publicado na revista especializada BMC Biology, o trabalho teve participação de especialistas do King’s College de Londres e do Instituto de Pesquisas Sanger, ambos no Reino Unido.

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Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores passaram por uma série de etapas. Inicialmente, eles analisaram neurônios presentes em uma região da cavidade nasal chamada órgão volmeronasal. Indo além, o time observou nas sequências de RNA quais genes eram expressos nessas células nervosas — uma forma de descobrir a função.

“Cada célula dos órgãos olfativos expressa apenas um tipo de gene de receptor olfativo. O receptor escolhido define a identidade da célula, os odores que detecta, os locais com os quais faz conexão no cérebro e, portanto, sua função”, explica ao Correio Fábio Papes, coautor do estudo e professor no Departamento de Genética e Evolução da Unicamp.

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