Fósseis confirmam existência de outra espécie humana na Indonésia

Esses seres seriam de linhagem próxima à do Homo erectus e chegaram a conviver com o homem moderno

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postado em 09/06/2016 06:00 / atualizado em 09/06/2016 10:32

Kinez Riza/Divulgação
Eles eram homenzinhos de pouco mais de 1m quando adultos. Mas sua descoberta, no início dos anos 2000, provocou um debate gigante sobre a raça humana. Desde as primeiras descrições do Homo floresiensis, encontrado na Ilha de Flores, Indonésia, especulou-se muito sobre essas criaturas. Enquanto alguns os posicionaram na árvore evolutiva do homem, apontando-os como um de nossos ancestrais, outros levantaram teorias de que os fósseis escavados eram Homo sapiens que sofriam de algum distúrbio do crescimento.

Agora, dois estudos publicados na revista Nature sepultam essas dúvidas e confirmam que os misteriosos habitantes do paraíso indonésio eram uma espécie distinta. Novas evidências fósseis mostraram que os hobbits — apelido dado em referência aos pequeninos personagens de Senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien — estavam na ilha há pelo menos 700 mil anos, muito antes do aparecimento do homem moderno (há cerca de 250 mil anos), sugerindo que eles são de uma linhagem próxima à do Homo erectus.

As constatações vieram de seis dentes pertencentes a um adulto e a duas crianças, além de uma mandíbula parcial, escavados em 2014 em uma rocha de Mata Menge, na Ilha de Flores. Até hoje, resquícios de hobbits só haviam sido encontrados na caverna de Liang Bua, o que reforçava a teoria de que não se tratava de uma espécie, mas de um pequeno grupo de indivíduos com distúrbio de desenvolvimento, talvez de uma mesma família. Contudo, Mata Menge fica a 70km dali, e os ossos estavam em uma camada geológica que antecede a datação de Liang Bua em mais de 500 mil anos.

Adaptação
Segundo Gert van den Berth, do Centro de Ciências Arqueológicas da Universidade de Wollongong, na Austrália, e um dos responsáveis pela descoberta, isso não deixa dúvidas sobre a existência da espécie dos Homo floresiensis. “Nossa descoberta tem importantes implicações para a compreensão sobre a dispersão e a evolução humana na região e acaba de vez com qualquer suposição de que o Homo floresiensis era simplesmente um homem moderno (Homo sapiens) doente”, observou, em uma coletiva de imprensa.

Em nota, o anatomista Yousuke Kaifu, pesquisador do Museu Nacional de Ciência e Natureza de Tóquio, que participou do estudo, contou que fez comparações dos dentes e da mandíbula com uma ampla base de dados. “Todos são de hominídeos (ancestrais humanos), sem sombra de dúvidas, e parecem ser extremamente similares aos do Homo floresiensis. A morfologia dos dentes também sugere que essa linhagem humana representa um descendente miniaturizado dos primeiros Homo erectus, que, de alguma forma, chegaram à Ilha de Flores. Inesperadamente, tudo indica que o Homo floresiensis tinha obtido seu tamanho pequeno há pelo menos 700 mil anos”, disse.

O arqueólogo Adam Brumm, da Universidade de Griffith, na Austrália, disse, na coletiva de imprensa, que, como alguns artefatos de pedra descobertos anteriormente na mesma região têm por volta de 1 milhão de anos, essa linhagem humana já estava na ilha indonésia 300 mil anos antes da existência dos indivíduos que tiveram seus fósseis escavados. “É possível que os pequeninos floresiensis tenham desenvolvido as proporções corporais diminutas nos primeiros 300 mil anos em Flores, e que eles representem uma linhagem miniaturizadas derivada do Homo erecuts.” Anatomicamente, os homens de Flores são muito mais semelhantes, apesar da estatura baixa, ao Homo erectus — possivelmente o primeiro hominídeo a se aventurar fora da África — do que ao Homo habilis, seu contemporâneo. A hipótese de que os hobbits descenderam deles, inclusive, não é nova. Em Flores, eles teriam sofrido o processo de miniaturização para se adaptar às características locais, como falta de predadores e escassez de recursos.

Outras hipóteses
De acordo com Brumm, há outra hipótese para a origem evolutiva dos hobbits, segundo a qual a especialização teria ocorrido em alguma ilha entre a Ásia (de onde veio o Homo erectus) e Flores. Nesse caso, os pequenos hominídeos já teriam, portanto, chegado à Indonésia com o formato corporal característico. Brumm lembrou que, há cinco meses, Van den Bergh publicou um artigo também na Nature, descrevendo ferramentas de pedra encontradas na ilha indonésia de Celebes, distante 145km de Flores.

Como os objetos eram anteriores à chegada do Homo sapiens, sua autoria foi atribuída a alguma linhagem de hominídeos que, por sua vez, teriam relação com os fundadores da estirpe dos hobbits. A paleontóloga Aida Gómez-Robles, do Centro de Estudos Avançados de Paleobiologia Humana da Universidade de Washington, levanta outra teoria: os floresienses poderiam se derivar diretamente do gênero australopiteco. “Mas esse modelo implica que hominídeos muito primitivos tenham deixado a África por volta de 2 milhões de anos, mas não há evidências fósseis ou arqueológicas dessa dispersão precoce”, observou, em um texto publicado na Nature.

 

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