Historiadores estudam navios da frota de Vasco da Gama recém-descobertos

A descoberta de navios naufragados ajuda historiadores a compreender melhor o período das Carreiras da Índia, época em que Portugal dominou o comércio internacional com a ajuda de desbravadores tão corajosos quanto polêmicos e violentos

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postado em 12/06/2016 08:10

Blue Water Recoveries/Divulgação


As Carreiras da Índia, expedições marítimas portuguesas realizadas de 1498 — ano em que Vasco da Gama descobriu a rota marítima para a Ásia — até o século 19, eram jornadas perigosas e potencialmente letais. Prova disso são os restos das naus Esmeralda e São Pedro, que pertenciam à frota do navegador português e naufragaram durante uma tempestade perto de Al Hallaniyah, a maior das ilhas Khuriya Muriya, 45km ao sul de Omã (veja mapa). Quase toda a tripulação dos bois barcos morreu, incluindo os comandantes, os irmãos Vicente e Brás Sodré.

Os restos desses dois navios foram recentemente apresentados por pesquisadores da empresa Blue Water Recoveries, que descreveram detalhes da descoberta em um artigo na revista especializada The International Journal of Nautical Archaeology. A imagem de moedas e outros objetos serve como uma cápsula do tempo que remete a um período em que curiosos personagens se envolviam em tramas de aventura, conquista, assassinatos, ganância e desobediência ao rei.

A cada novo achado submarino, historiadores ganham mais peças que ajudam a remontar o período do domínio português no mercado de especiarias. “Eram, principalmente, temperos de comida, como pimenta, noz-moscada e açúcar. Naquela época, as comidas apodreciam com facilidade e, por isso, era necessário condimentar bastante para disfarçar o gosto. Os europeus comiam, literalmente, carne podre. É por isso que esses produtos eram tão estimados na Europa”, explica Aline Vanessa Locastre, historiadora da Universidade Norte do Paraná (Unopar).



O achado recente, liderado por David Mearns, apresenta alguns dos vestígios mais antigos dessa época — até agora, foram recuperados cerca de 2,8 mil objetos, como partes das embarcações e moedas. Esmeralda e São Pedro, naufragadas em 1503, lideravam uma esquadra de três naus e duas caravelas que integravam a quarta expedição portuguesa no Oceano Índico, iniciada um ano antes.

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