Estudo mostra que cérebro de aves tem mais neurônios do que o de mamíferos

O resultado esclarece por que araras e corvos, por exemplo, têm alto desempenho cognitivo

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postado em 14/06/2016 06:00 / atualizado em 14/06/2016 07:39

 Gustavo Moreno/CB/D.A Press


O cérebro das aves costuma ser bem pequeno. Por isso, os bichos emplumados são citados, em diferentes culturas, quando se quer ofender a inteligência de alguém. No Brasil, por exemplo, usas-se a expressão “cérebro de galinha” para esse fim, enquanto em países de língua inglesa, recorre-se a um termo semelhante: bird brain (cérebro de passarinho).

Agora, um novo estudo, liderado pela neurocientista brasileira Suzana Herculano Houzel, chega para mudar o sentido dessas expressões. A pesquisa, publicada ontem na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences revela que, embora de tamanho modesto, o cérebro das aves costuma concentrar mais neurônios que o de mamíferos na região do prosencéfalo, a porção do órgão associada ao comportamento inteligente.

Um exemplo claro é o da arara e de algumas espécies de pequenos macacos. Enquanto o cérebro da ave não ultrapassa o tamanho de uma noz, o dos símios pode ser comparado a limões. No entanto, quando se mede o número de neurônios, a arara sai em vantagem. “Por muito tempo, ter um ‘cérebro de passarinho’ foi considerado algo ruim. Agora, porém, fica claro que deveria ser um elogio”, diz Houzel, que recentemente se transferiu da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.

O trabalho que a brasileira assina como autora-sênior, ao lado de Pavel Nemec, da Universidade Charles em Praga (República Checa), é o primeiro a medir sistematicamente o número de células nervosas no cérebro de mais de duas dúzias de espécies de aves, de tamanhos que vão do minúsculo mandarim (Taeniopygia guttata), com cerca de 12g, ao emu, espécie gigante australiana que chega a 1,6m de altura.

Habilidades

O levantamento explica como pássaros podem, com seus minúsculos cérebros, desempenhar tarefas cognitivas complicadas, uma dúvida que há anos intriga neuroanatomistas. Desde a década passada, experimentos iniciados com papagaios, araras e corvos mostraram que esses animais são capazes de construir e usar ferramentas, ter insights para resolver problemas, reconhecerem-se em um espelho e fazer planos de acordo com necessidades futuras, todas essas habilidades que antes eram consideradas exclusivas dos primatas.

Uma hipótese levantada para explicar os resultados desses experimentos foi a de que aves deveriam apresentar conexões cerebrais muito distintas das de primatas. Dois anos atrás, contudo, essa ideia se mostrou errada, após um estudo detalhado do órgão de pombos concluir que a organização neuronal desses dois tipos de bichos é bem parecida. A pesquisa divulgada agora mostra que, na verdade, a resposta do enigma está na capacidade de abrigar mais neurônios.

 

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