Estudo contesta ideia de que clima influenciou em transformação cultural

O grupo analisou a composição de fósseis animais e vegetais presentes em dois sítios arqueológicos na África do Sul

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postado em 07/07/2016 06:00 / atualizado em 07/07/2016 07:07

hris Henshilwood/Divulgação


Durante a chamada Idade da Pedra Média, aproximadamente entre 280 mil e 50 mil anos atrás, uma verdadeira revolução tecnológica e cultural aconteceu na África. Nessa época, homens pré-históricos passaram a produzir ferramentas e ornamentos pessoais muito mais bem elaborados que os de seus ancestrais, peças com valor estético e simbólico ou que ajudavam na caça, no preparo de alimentos e na construção de abrigos. Vários cientistas acreditam que esse processo foi impulsionado por mudanças climáticas da época, embora haja divergência sobre se foi a instabilidade do tempo que exigiu maior criatividade ou se, pelo contrário, depois de o clima se tornar mais ameno, o Homo sapiens ficou livre para realizar experimentações.

Agora, pesquisadores britânicos publicam um estudo na revista especializada Plos One em que contestam a relação entre variações ambientais e os avanços culturais e tecnológicos do período. O grupo analisou a composição de fósseis animais e vegetais presentes em dois sítios arqueológicos na África do Sul onde diversas dessas ferramentas tinham sido encontradas em estudos anteriores. A conclusão foi que as mudanças no clima não se deram na mesma época da confecção das ferramentas, indicando que os cientistas devem trabalhar com outras hipóteses sobre as causas dessa antiga explosão de criatividade.

 Os autores dizem que decidiram realizar a nova pesquisa porque, embora seja bastante citada, a hipótese da relação entre a produção de artefatos e alterações climáticas sempre careceu de evidências mais consistentes. “Essa tese foi testada diversas vezes com o uso de registros vindos de fora dessa região, e que não estão diretamente associados a sítios arqueológicos, como, por exemplo, sedimentos marinhos. Por isso, queríamos investigar no local registros que fornecessem relação com os ambientes em que viveram esses humanos”, explica ao Correio Patrick Roberts, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

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