Cientistas discutem em congresso novas abordagens no combate ao câncer

Mudanças na hormonoterapia para evitar a volta do tumor e combinação de remédios que aumentam a sobrevida estão entre as novidades apresentadas no maior congresso mundial sobre a doença, realizado nos EUA

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postado em 12/07/2016 06:05 / atualizado em 12/07/2016 08:03

Arte/Cb/DA Press
Belo Horizonte — Trinta mil especialistas reunidos no maior congresso de oncologia do mundo: assim é a American Society of Clinical Oncology (Asco). A cada ano, a Asco aborda avanços no tratamento da doença que, só neste ano, deve acometer 596 mil pessoas no Brasil, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). É durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica que são apresentados os principais estudos e novidades na área. Segundo o oncologista Israel Vilaça, da Oncomed-BH e do Instituto Mario Penna, ambos em Belo Horizonte, diferentemente da edição do ano passado, quando se destacaram pesquisas sobre o uso da imunoterapia no tratamento de carcinomas no pulmão, a edição de 2016, feita em junho, aprofundou pesquisas desse tipo e trouxe novos estudos e mudanças nos modos de tratar os tumores.

“Há várias avanços no conhecimento da biologia do câncer, além de novos exames e medicamentos”, afirma Vilaça, que destaca quatro estudos em especial. Um deles avaliou o uso da hormonoterapia para evitar a recidiva de câncer de mama. Até então, eram indicados cinco anos de hormonoterapia, mas o estudo mostrou que dobrar esse período resulta em redução de 34% do risco de recorrência da doença, se comparada a abordagem com placebo, confirmando dados de estudos anteriores. Foram analisadas 1.918 pacientes tratadas com letrozol. A substância é indicada após a cirurgia para mulheres com câncer de mama inicial na pós-menopausa. “Precisamos orientar que prolongar o tratamento pode reduzir ainda mais a recidiva, mas, sempre que possível, devemos pesar o risco/benefício. Nenhuma medicação é isenta de efeitos colaterais”, ressalta o oncologista.

A Asco também trouxe avanços na abordagem do câncer de pâncreas. Um estudo de fase 3 é, segundo Vilaça, visto como um marco histórico para a doença porque implica mudanças de conduta. Antes, o paciente, mesmo com a doença avançada, fazia o tratamento com o quimioterápico gencitabina após ser submetido a uma cirurgia. A nova abordagem concluiu que adicionar outra quimioterapia oral, a capecitabina, ao tratamento padrão prolonga a sobrevida dos pacientes sem aumentar muito a toxicidade. “A sobrevida global mediana foi de 28 meses para quem usou a terapia combinada e de 25,5 meses para quem recebeu só um medicamento. É um ganho de 12% de sobrevida global em cinco anos. Um resultado significativo”, comemora o médico.  “Trata-se de uma doença de prognóstico muito reservado. Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre em estágios avançados.”

Idosos


Há também novidades para o enfrentamento do glioblastoma multiforme (GBM), que acomete o sistema nervoso central. Médicos e cientistas sabem do beneficio da droga temozolomida em associação com a radioterapia depois da intervenção cirúrgica, mas desconheciam os efeitos desse tratamento na população idosa, que representa cerca de metade dos casos. “O estudo apresentado fornece a primeira evidência de que a quimioterapia com temozolomida em associação à radioterapia com um fracionamento mais curto aumenta significativamente a sobrevida sem prejudicar a qualidade de vida, com uma redução do risco de morte em torno de 33%. Antes, não tínhamos uma diretriz clara para tratar esse grupo de pacientes”, explica Vilaça.

 

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