Cientistas defendem fim das doses diárias de antirretroviral contra o HIV

A proposta de um grupo de especialistas da França foi apresentada durante a 21ª Conferência Internacional sobre a Aids, na África do Sul. Cem pacientes receberam o medicamento quatro vezes na semana e 96 deles mantiveram o vírus HIV sob controle

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postado em 20/07/2016 06:00 / atualizado em 20/07/2016 09:07

Simon Maina/AFP
 

 

Reduzir a quantidade de comprimidos pode, segundo especialistas, aumentar a adesão do tratamento Criados na década de 1980, os antirretrovirais prolongam significativamente a longevidade dos infectados pelo HIV e diminuem as chances de transmissão da Aids. Versões melhoradas do medicamento foram lançadas ao longo dos anos, e cientistas continuam a buscar formas de tornar a abordagem mais eficaz tanto para reduzir os índices de abandono quanto para aliviar os efeitos colaterais do tratamento, que dura toda a vida. Uma equipe da Agência Nacional Francesa de Pesquisa em HIV, Aids e Hepatites Virais (ANRS) apresentou ontem, na 21ª Conferência Internacional sobre a Aids, em Durban, na África do Sul, resultados de um estudo propondo que a ingestão dessas substâncias deixe de ser diária. A pesquisa, testada em 100 voluntários, apresentou resultados promissores.

Os participantes passaram a ingerir os medicamentos quatro vezes por semana durante 48 semanas e foram acompanhados por uma equipe liderada por Christian Perronne, do Hôpital Raymond Poincaré, na França, e integrante da ANRS. A intenção era saber se, com esse tipo de abordagem, seria possível manter a carga viral plasmática abaixo de 50 cópias/mL, considerada indetectável. Os voluntários tinham sido tratados com uma combinação tripla de antirretrovirais durante em média cinco anos e apresentavam a carga viral abaixo do limite indicado por quatro anos.

Após as 48 semanas, 96% deles seguiam o regime de quatro dias de ingestão do medicamento e mantinham a carga viral indetectável. Apenas três pacientes voltaram a ter a carga do vírus além do número recomendado nas semanas quatro, 12 e 40, com, respectivamente, 785, 124 e 969 cópias/mL. Nesses, a taxa caiu para abaixo do limite quando eles retomaram o tratamento padrão, com doses diárias do medicamento, sem o surgimento de resistência. Um participante abandonou o estudo na quarta semana.

“Esses resultados nos encorajam a prosseguir com o nosso objetivo de melhorar a qualidade de vida no tratamento da Aids e atender uma forte demanda de alguns pacientes para uma carga de drogas mais baixa”, comemora Jean-François Delfraissy, diretor da ANRS. O especialista ressaltou a importância de um experimento randomizado — em que os participantes são escolhidos de forma aleatória — para se chegar à conclusão de que a abordagem pode ser prescrita aos soropositivos. “Somente esse tipo de estudo será capaz de aprovar essa estratégia”, justificou.

 

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