Antibióticos surgem como potencial caminho para enfrentamento ao Alzheimer

O efeito dos medicamentos na microbiota de ratos reduziu a formação, no cérebro, das placas de proteínas que desencadeiam a doença neurodegenerativa

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postado em 22/07/2016 06:05 / atualizado em 22/07/2016 07:44

Em um experimento com ratos, cientistas dos Estados Unidos detectaram que o medicamento diminuiu o acúmulo da proteína beta-amiloide, ligada ao desenvolvimento da doença neurodegenerativa em humanos. Para os estudiosos, alterações na flora intestinal provocadas pela ação do remédio seriam responsáveis pelo benefício. A afirmação reforça as recentes evidências da relação estreita entre a microbiota e o cérebro.

“Estamos explorando bastante esse território, a forma como o intestino influencia a saúde do cérebro. Essa é uma área em que as pessoas que trabalham com doenças neurodegenerativas têm se interessado cada vez mais porque ela pode influenciar a estrada que percorremos em busca de tratamentos”, explicou, em comunicado à imprensa, Sangram Sisodia, professor de neurociências da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo, divulgado na última edição da revista Scientific Reports.

Na análise, os cientistas focaram em duas substâncias relacionadas ao Alzheimer: a amiloide, uma proteína presente no cérebro; e a microglia, um conjunto de células cerebrais que desempenham funções essenciais no sistema imunológico e no sistema nervoso central e que, para especialistas, está relacionado ao declínio cognitivo causado pela doença. Ratos receberam altas doses de antibióticos ao longo de seis meses e um grupo de controle, não. Depois, uma análise genética de bactérias presentes no intestino das cobaias mostrou que a quantidade de micróbios presentes era praticamente a mesma em todas elas, mas a diversidade da flora intestinal das tratadas com o medicamento tinha subido drasticamente.

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Os antibióticos também diminuíram o acúmulo das proteínas amiloides na cobaias e aumentaram a atividade da microglia, o que significa uma defesa maior do corpo contra a doença neurodegenerativa. Os cientistas acreditam que as alterações detectadas podem servir de base para futuras descobertas ligadas ao Alzheimer. “Não propomos que o uso a longo prazo de antibióticos seja um tratamento, o que é absurdo por diversas razões, mas o que esse estudo faz é nos permitir explorar ainda mais essa área, já que mudar a população microbiana do intestino mostrou, em camundongos, uma queda de amiloide”, ressaltou, em comunicado, Myles Minter, pesquisador no Departamento de Neurobiologia da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo.

Sisodia ponderou ainda que o Alzheimer começa a alterar o organismo no paciente por muito tempo, ultrapassando etapas da vida. “Nós sabemos que há mudanças que ocorrem no cérebro e no sistema nervoso central de 15 a 20 anos antes do surgimento dos sintomas. Temos de encontrar formas de intervir quando um paciente começa a mostrar sinais clínicos. Se pudermos aprender como as mudanças nas bactérias do intestino afetam o início e a progressão ou como as moléculas interagem com o sistema nervoso, poderíamos usar essa base para criar um tipo de medicina personalizada”, cogitou.

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