Pesquisadores apresentam ovelhas clonadas da mesma linhagem de Dolly

O resultado é saudado como importante sinal de aprimoramento da técnica

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postado em 27/07/2016 06:00 / atualizado em 27/07/2016 06:52

The University of Nottingham/Divulgação
 

 

Há 20 anos, o mundo assistiu, boquiaberto, ao anúncio do nascimento do primeiro animal clonado da história. Naquela época, o feito, divulgado por cientistas do Reino Unido, parecia saído de um filme de ficção científica. Mas Dolly era real. “Filha” da célula mamária retirada de uma ovelha e gestada por outra fêmea, ela morreu precocemente, em 2003. Sofria de osteoartrite e doença pulmonar progressiva, problemas associados à velhice. Suspeitou-se, então, que a técnica, ainda que extraordinária, acelerasse o envelhecimento.

A dúvida não era sem razão. Afinal, especulou-se que, fruto de um tecido adulto, Dolly teria chegado ao mundo mais velha que as ovelhas nascidas pelo método tradicional. Além disso, ela tinha uma característica condizente com o envelhecimento: os telômeros (o “rabinho” do cromossomo) do animal encolhiam mais rapidamente que o esperado para sua idade. Depois de Dolly, muitos clones vieram, com técnicas variadas — inclusive em Brasília, onde a Embrapa produziu bezerros com células-tronco. Na Coreia do Sul, o comércio de pets clonados é uma realidade desde 2005. E, há três anos, a Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, nos Estados Unidos, anunciou o primeiro embrião humano clonado com a mesma técnica de Dolly.

“No entanto, a questão do envelhecimento saudável desses animais nunca foi apropriadamente investigada”, destaca Kevin Sinclair, especialista em biologia do desenvolvimento da Universidade de Nottingham, na Inglaterra. Ontem, ele apresentou à comunidade científica e à imprensa Debbie, Denise, Dianna e Daisy, quatro ovelhas nascidas em julho de 2007 da mesma linhagem de células mamárias que originaram Dolly. Agora aos 9 anos, estão perfeitamente saudáveis, de acordo com Sinclair, que publicou, com sua equipe, um artigo sobre a saúde dessas ovelhas na revista Nature Communications.

O grupo de cientistas também descreveu nove ovelhas clonadas há sete anos a partir de células embrionárias. “Elas estão idosas e muito saudáveis para suas idades”, afirmou o cientista, em uma teleconferência de imprensa. Em termos humanos, os animais têm por volta de 60 anos.

O biólogo contou que, originalmente, o objetivo do estudo com as 13 ovelhas era investigar melhorias nas técnicas de clonagem. Contudo, em 2012, com a morte de Keith Cambpell, cientista que cuidava dos clones idosos, ele foi convidado a pesquisá-los. O foco de interesse não poderia ser outro: o processo de envelhecimento de um animal clonado. “Uma das preocupações sobre a técnica era que os animais estavam envelhecendo prematuramente, com Dolly sendo diagnosticada aos 5 anos com osteoartrite. Então, essa era, claramente, uma área relevante para se investigar”, disse Sinclair.

 

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