Pesquisadores descobrem riquezas naturais em fundo de Oceano Pacífico

Área profunda do Pacífico, alvo do interesse de mineradoras por abrigar grandes reservas de manganês e outros metais, é também a casa de uma das mais variadas faunas já encontradas em regiões abissais, aponta estudo norte-americano

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postado em 30/07/2016 08:00

Diva Amon/Craig Smith/Universidado do Havaí em Manoa


Equilibrar a exploração de recursos naturais com a preservação do meio ambiente é um desafio que constantemente coloca em lados opostos preservacionistas e grandes corporações e governos. Depois de décadas de briga por porções de solo, a batalha parece prestes a se deslocar para um novo campo: o fundo do mar. Isso porque o assoalho oceânico tem sido apontado como a próxima fronteira a ser conquistada por mineradoras.

Uma das áreas mais cotadas para essa extração profunda é a Zona Clarion-Clipperton, uma região de 5 milhões de quilômetros quadrados (maior que a extensão de toda a União Europeia) no leste do Oceano Pacífico. Ali, a combinação de processos biológicos, químicos e geológicos levou à formação de nódulos ricos principalmente em manganês, mas que abrigam também outros metais, como cobre, níquel e cobalto.

Com os primeiros acordos de exploração da área em andamento, biólogos marinhos decidiram investigar se a Clarion-Clipperton é rica também em biodiversidade. E, segundo um estudo publicado ontem na revista Scientific Reports, a variedade animal no local é impressionante. “Nós descobrimos que essa região reivindicada para exploração abriga uma das mais diversas comunidades de megafauna (animais com mais de 2cm de tamanho) já registradas em profundidades abissais em alto-mar”, afirma, em um comunicado, Diva Amon, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade do Havaí em Manoa.

O estudo faz parte do projeto Abyssline, que reúne um time de pesquisadores interessados em levantar a fauna na zona submarina, e concentrou-se em um local batizado de UK-1, por ter sido requerido para exploração pelo Reino Unido. Trata-se do primeiro trabalho a caracterizar a abundância e a diversidade de animais que habitam o assoalho oceânico na área, considerados elementos-chaves dos ecossistemas existentes no fundo do mar.

Submarino

A investigação foi feita com a ajuda de um submarino não tripulado, comandado remotamente. Por meio das câmeras acopladas ao veículo, os pesquisadores tiveram acesso a toda a UK-1 e também a uma porção a leste de lá. Com base na quantidade e variedade de espécies encontradas nos locais visitados, eles puderam estimar o tamanho da fauna que reside na plataforma submersa.

Os dados preliminares publicados ontem apontam que a maior concentração de animais está justamente nas regiões com maior volume de nódulos metálicos. Além disso, a maioria da megafauna parece depender desses nódulos para a sobrevivência, sendo possível prever um grande prejuízo para a biodiversidade da zona com o início de atividades mineradoras.

Amon conta que não só foram observadas muitas espécies, como descobertas várias delas. “As maiores surpresas desse estudo foram a grande diversidade, o grande número de novas espécies e o fato de mais da metade dos animais observados dependem dos nódulos — a maior parte do hábitat que será removida durante os processos de mineração”, afirma a pesquisadora, ressaltando que os resultados evidenciam ainda o quanto o fundo do mar permanece desconhecido pela ciência.

O objetivo do estudo não é conseguir impedir o trabalho de mineração, mas colaborar com informações que ajudem na realização de um planejamento mais consciente da atividade. “Para gerir a área de maneira mais eficiente e reduzir os impactos ambientais da mineração no fundo do mar na Zona Clarion-Clipperton, é essencial conhecermos a abundância, a diversidade e o alcance das espécies de megafauna ali presentes”, defende, também em nota, Craig Smith, professor de oceanografia na Universidade do Havaí em Manoa e investigador-chefe do Projeto Abyssline.

 

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