Droga controla câncer grave no fígado e reduz 38% o risco de morte

Pesquisadores da Espanha também consideraram a ingestão do remédio segura

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postado em 09/08/2016 10:15

CB/D.A Press

Barcelona e Belo Horizonte —
Lutar contra tumores malignos é predestinação para quase 600 mil pessoas no Brasil neste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esses pacientes não só têm que vencer o estigma da doença que invade vorazmente tecidos e órgãos, como travar uma batalha em busca do tratamento mais eficiente e de melhor resposta. O problema é que, para alguns, como os diagnosticados com cancro no fígado, há situações em que as terapias se esgotam e os remédios deixam de responder. Um trabalho apresentado no 18º Congresso Mundial sobre o Câncer Gastrointestinal, na Espanha, pode trazer alívio aos que vivem o terrível impasse.


Cientistas apresentaram os resultados da fase 3 do estudo Resorce, que investiga os efeitos do composto regorafenibe em pacientes com carcinoma hepatocelular irressecável, aquele cujos tumores não podem ser completamente removidos e evoluíram durante o tratamento com comprimidos de sorafenibe, considerada a droga-alvo para esse tipo de câncer no fígado. A substância mostrou resposta positiva no aumento da sobrevida dos participantes do teste.

O ensaio clínico envolveu 573 pessoas de 21 países — no Brasil, ocorreu em Salvador. Dos voluntários, 379 receberam o composto e 194, placebo. A fórmula reduziu em 38% o risco de morte sobre o período experimental, em torno de três meses. Enquanto a sobrevida média observada com pacientes que usaram placebo foi de 7,8 meses, aqueles que receberam regorafenibe tiveram sobrevida de 10,6 meses.

“Na prática, isso significa que o paciente, mesmo após o diagnóstico severo que pode levá-lo à morte entre seis e oito meses, tem a chance de viver quase dois anos, e com melhor qualidade de vida, quando segue as duas linhas de tratamento”, explica o coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretor clínico da Clínica Personal, em Belo Horizonte, André Márcio Murad.

Oncologista clínico do Inca, Cristiano Guedes Duque reforça a importância do aumento da sobrevida em pacientes com câncer em estágio terminal. “Três meses podem fazer muita diferença para essas pessoas. Só de saber que vai haver um tratamento para combater o tumor, ainda que paliativo, dá um conforto. Pode parecer pouco, mas é muito positivo”, avalia. O médico lembra que, apesar do aumento da qualidade de vida nessa fase severa da doença, a pessoa apresenta efeitos colaterais com a administração do medicamento. Entre eles, fadiga, diarreia, aftas e a síndrome mão/pé, conhecida pela descamação da pele nesses membros.

*A repórter viajou a convite da Bayer

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