Exploração de animais e plantas ameaça 8 mil espécies no planeta

O mercado desenfreado de animais e plantas está envolvido no risco de extinção de 72% das 8.688 espécies ameaçadas no planeta, indica grupo internacional de conservacionistas. Só a indústria madeireira tem vínculo direto com o declínio de mais de 4 mil

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postado em 11/08/2016 06:00

Mujahid Safodien/AFP - 20/5/16


A superexploração comercial é o principal motor do declínio populacional da vida selvagem, de acordo com um levantamento publicado na revista Nature. Ao avaliar os fatores que impactam diretamente as 8.688 espécies da Lista Vermelha, um compêndio de animais ameaçados de extinção organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), pesquisadores de diversas instituições do mundo concluíram que 72% delas são vítimas da caça desenfreada, seja para abastecer o mercado de carnes exóticas, o comércio de ornamentos (como marfim) ou a indústria clandestina de medicinas tradicionais que usam órgãos e ossos, sem comprovação científica, para a fabricação de elixires. A caça recreativa também entra na conta.

O avanço da agropecuária sobre o hábitat selvagem tem um peso considerável sobre o número de animais ameaçados. Segundo a análise, 5.407 espécies — 62% da lista — é impactada pelo setor. Como comparação, as mudanças climáticas impactam em 19% dos casos. Os autores do trabalho lembram que mais de um fator costuma ser responsável pelo risco de extinção e que todos os 11 avaliados estão relacionados à atividade humana, como desenvolvimento urbano, introdução de espécies invasivas, construção de estradas, poluição industrial e produção energética. “Surpreendentemente, no ranking, as mudanças climáticas aparecem no sétimo lugar, um dos últimos”, observa o conservacionista Sean Maxwell, da Universidade de Queensland, na Austrália, e principal autor do artigo.

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A caça ilegal, de acordo com os pesquisadores, está dizimando todas as espécies de rinocerontes e elefantes, além do gorila do ocidente e do pangolim chinês. “Eles são perseguidos como resultado de uma demanda enorme por partes de seu corpo e pela caça. É importante lembrar que estamos falando de apenas três de mais de 2,7 mil espécies de animais terrestres e peixes afetadas pelos mesmos motivos ou porque as pessoas querem tê-los em casa, como pets de estimação”, critica Maxwell.

Mais pressão
A um mês do encontro anual da UICN, que será realizado no Havaí, os conservacionistas afirmam que são necessárias medidas urgentes, endereçadas aos principais setores que ameaçam a vida selvagem. Entre eles, a expansão agropecuária e a indústria madeireira. Essa última, de acordo com o levantamento, está associada diretamente ao declínio de mais de 4 mil espécies endêmicas de florestas, como o pássaro Ptilocichla leucogrammica, encontrado apenas na Ilha de Bornéu; do Crocidura nicobarica, mamífero que habita partes da Índia; e do Rhinopithecus stryker, macaco que vive apenas em Mianmar.

“A história nos ensinou que minimizar o impacto da superexploração e da agricultura requer uma série de ações de conservação, mas esse é um objetivo que pode ser atingido”, garante James Watson, coautor do estudo e pesquisador da União Internacional para a Conservação da Natureza, embora reconheça que seja um “trabalho hercúleo”. “Ações como manejo adequado de áreas protegidas, fiscalização da caça e manejo dos sistemas agrícolas de forma que as espécies ameaçadas possam conviver com eles são muito importantes para reduzir a crise da biodiversidade. Elas precisam ser priorizadas”, observa.
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