Estudo prova que primeiros círculos da Grã-Bretanha rastreavam astros

Pela primeira vez, eles conseguiram provar, com cálculos e tecnologia 3D, que os grandes círculos %u2014 monumentos monolíticos circulares encontrados em diversas partes da ilha %u2014 foram construídos especificamente alinhados aos deslocamentos do Sol e da Lua

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postado em 20/08/2016 06:00

Douglas Scott/Divulgação


Há 5 mil anos, muito antes que o homem sequer sonhasse com lentes e telescópios, ele já era, contudo, capaz de decifrar alguns dos mistérios que vinham do céu. Antigas civilizações, como babilônios, maias e egípcios, cultivavam interesse especial pelo movimento dos astros e, com os instrumentos disponíveis, estudavam os padrões de deslocamento dos corpos celestes. Na Grã-Bretanha, blocos imensos de pedra serviram para esse propósito, garantem pesquisadores australianos da Universidade de Adelaide. Pela primeira vez, eles conseguiram provar, com cálculos e tecnologia 3D, que os grandes círculos — monumentos monolíticos circulares encontrados em diversas partes da ilha — foram construídos especificamente alinhados aos deslocamentos do Sol e da Lua.

A função desses complexos arquitetônicos do neolítico e da idade do bronze tem sido discutida fervorosamente por arqueólogos. Alguns sustentam que eram observatórios astronômicos, enquanto outros acreditam se tratar de templos religiosos. Para muitos, porém, os círculos de pedra — nos quais se inclui Stonehenge, o mais famoso deles — podiam servir às duas propostas. O estudo australiano, publicado no Journal of Archaeological Science: Reports, não exclui o possível caráter místico desses monumentos, mas também não deixa dúvidas de que eles tinham objetivo de rastrear os astros.

“Essa é uma suposição que os especialistas têm em mente há tempos. Mas, até agora, ninguém havia conseguido provar, estatisticamente, que os primeiros dos grandes círculos da Grã-Bretanha foram construídos para estudar os fenômenos astronômicos”, afirma a líder do Projeto da Paisagem Megalítica do Oeste da Escócia, Gail Higginbottom, professora da Universidade de Adelaide. Ela avaliou os padrões de alinhamento das pedras dos monumentos líticos mais antigos da ilha — Callanish e Stenness, ambos na Escócia, e erguidos cerca de 500 anos antes de Stonehenge, e utilizou um software chamado Horizon, que detalha informações como distância, elevação e direção do horizonte, da perspectiva dos blocos de pedra.

As reconstruções bidimensional e tridimensional da paisagem não deixaram dúvidas, diz Higginbottom: “As análises dos dados de orientação indicaram que havia um interesse grande no movimento de ascendência da Lua, assim como no deslocamento do Sol nos solstícios e equinócios”, diz. O interessante, segundo a arqueóloga, é que monumentos de pedra datados de 2 mil anos depois exibiam padrões de construção muito semelhantes, indicando que os antigos círculos do neolítico serviram de inspiração para observatórios astronômicos da idade do bronze na Escócia.

“As pedras não estavam conectadas apenas com o Sol e a Lua. Nós também constatamos uma complexa relação entre o alinhamento das pedras, a paisagem ao redor e o horizonte”, afirma a especialista. “Os antigos bretões conectavam a Terra ao céu por meio de seus blocos de pedra, e esse tipo de conexão se manteve pelos próximos dois milênios.”

 

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